Narrado por Catarina Smirnova
A volta pra casa nunca me pareceu tão leve. O carro do Mikhail cortava as ruas já com a noite caindo e eu tinha o peito cheio de um calor que não vinha só do chá — vinha de ser recebida, de perceber que, talvez, eu tivesse direito a recomeçar sem olhar o tempo todo por cima do ombro. Sentei encostada no banco e observei a cidade passar pela janela como se fosse um filme distante. Ao meu lado, Mikhail dirigia calmo, a testa franzida em concentração habitual, e eu ma