Narrado por Anya Volkov
Fomos para o quarto sem pressa. Aquele tipo de silêncio entre nós não era vazio — era tenso, carregado, como um fio elétrico exposto. Eu sentia o calor do corpo dele mesmo sem encostar. E, por algum motivo que eu não soube nomear, desejei mais do que tudo apagar o dia da minha pele. Queria esquecer Catarina, o conselho, a sombra de guerra. Queria lembrar o que era ser só mulher, não estratégia.
Quando entramos no quarto, Dimitri fechou a porta devagar. Não me olhou de imediato. Tirou o relógio, colocou sobre a mesa de canto. Em seguida, desabotoou o colarinho da camisa. Cada movimento dele parecia calculado para testar minha respiração.
Anya: — Você está com essa cara de general russo há horas. Sabe disso, né?
Dimitri: — E você está com essa cara de provocação há dias. — Ele se virou, os olhos escurecidos. — Está fazendo isso de propósito?
Dei dois passos para trás, como se fugisse. Mas eu não queria fugir. Queria ser perseguida.
Anya: — Talvez.
Ele avançou.
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