Narrado por Anya Volkov
Subi as escadas devagar, o calor do chá ainda firme nas mãos e um resto de riso preso na garganta. A conversa com Catarina havia sido mais do que eu esperava: inesperada, sincera, quase humilde. Havia algo leve em mim depois daquela tarde — uma espécie de clemência que eu não sabia se merecia. Encontrei Dimitri no escritório. Ele estava com os cotovelos sobre a mesa, um monte de papéis alinhados como soldados, e quando me viu o rosto fechou num raro traço de surpresa e curiosidade.
Anya: — Eu tomei chá com a Catarina hoje.
Dimitri: — Você o quê? — a pergunta saiu curta, dura como um estalo. Ele largou a caneta e passou a mão pelos olhos. — Chá? Com ela?
Sentei na poltrona que sempre evita um pouco da autoridade dele e sorri, tentando invadir a rigidez com calma.
Anya: — Sim. Ela estava inquieta, o Mikhail a trouxe. Acabei convidando-a a sentar por um tempo com a Darya e a Polina. Foi... estranho, mas bom.
Dimitri ficou em silêncio alguns segundos, medindo as pa