Narrado por Yakov Smirnova
Saí da mansão de Don Marcello com o coração em chamas.
Não era medo. Era satisfação. Finalmente, o nome Smirnova voltaria a ser temido — não como piada, não como vergonha, mas como sangue e poder.
A guerra estava declarada, e, pela primeira vez desde que fui expulso da Rússia, eu me sentia vivo.
O vento frio da noite de Milão cortava o rosto, mas eu não me importava. Entrei no carro sorrindo, acendi um cigarro e deixei a fumaça sair devagar, sentindo o gosto da vingança subir pela garganta.
Yakov: — Que o inferno se abra... Volkov vai pagar.
O motorista me olhou pelo retrovisor, mas não disse nada. Inteligente. Homens sábios sabem reconhecer quando o silêncio é mais seguro do que a palavra.
A mansão dos Smirnova ficava afastada do centro, em uma colina. Quando cheguei, as luzes estavam acesas.
Minha esposa, Irina, me esperava na porta — o robe amarrado às pressas, o rosto pálido de quem não dormia há dias.
Irina: — Onde você estava, Yakov? Está tarde! Eu ouv