Maskim
Cheguei em casa todo sujo de sangue. Parecia cena de crime dos filmes russos, daquelas que a polícia prefere não se envolver. E o pior de tudo? Eu precisava entrar no silêncio, na ponta dos pés. Se a pequena Lorena acordasse e me visse daquele jeito, a Antonella seria a primeira a me fuzilar com o olhar. Não tem como explicar pra uma criança o que é um traidor, um X9, nem porque ele merece morrer desse jeito. Ela ia achar que eu era um monstro. E eu não quero assustar minha princesa.
Fui direto pro banheiro do térreo, tirei as roupas — que iam direto pro lixo — e liguei o chuveiro no máximo. A água caía pesada nas costas, enquanto eu me esfregava pra tirar o sangue dos outros e o meu também. Quando achei que já tinha tirado tudo, fechei os olhos por um segundo. E foi aí que senti as mãos dela.
Não me abraçaram. Só pousaram firmes nas minhas costas, quentes, presentes.
Antonella: Eu estava preocupada com você. Vim pegar água e ouvi o barulho... Graças a Deus que você voltou. Ach