Irina
Eu chorei como nunca tinha chorado antes.
Não foi um choro bonito, nem silencioso. Foi um choro que rasgava o peito, que fazia o corpo tremer, que deixava a garganta em carne viva. Ver meu irmão sendo executado no meio da praça, diante de todos, foi uma cena que jamais sairia da minha mente. Moscou inteira parecia ter parado para assistir àquela demonstração de poder. Viktor não foi morto apenas para morrer. Ele foi transformado em um aviso.
Minha mãe entrou em desespero. Gritava, implorava, perguntava por quê. E eu não tinha resposta alguma para dar. Não havia corpo para velar, não havia dignidade, não havia sequer tempo para o luto. Tudo foi rápido, cruel e definitivo.
Além da dor, veio o medo.
Nós não tínhamos dinheiro. Viktor sustentava a casa. Era ele quem pagava o aluguel, os remédios da minha mãe, a comida. De um momento para o outro, tudo desapareceu. A morte dele não levou apenas um filho. Levou nossa sobrevivência.
Foi quando peguei o telefone dele.
Eu não sabia exatam