Conselho de Sangue

Narrado por Don Marcello

A sala do conselho tinha o peso de veludo e aço. Uma mesa oval de mogno ocupava o centro; cadeiras altas acomodavam os outros Dons. Algemas de poder; cada rosto ali representava uma cidade, rotas e homens capazes de transformar uma noite em ruína. Pediu-se silêncio. Eu fiquei em pé no topo da mesa, olhando um por um. A respiração coletiva diminuiu.

Marcello: — Obrigado por virem. Não chamei esta reunião por capricho. Chamei porque alguém pisou no meu tapete e saiu com minha noiva.

Os olhos buscaram o meu. Alguns já sabiam de onde vinha a ferida; outros esperavam o teatro.

Francesco (capo de Nápoles): — Yakov te trouxe notícias. Diz que foram os russos?

Marcello: — Sim. Volkov atravessou a fronteira com a insolência de um menino que acha que a Europa é brinquedo. Entraram em minha propriedade, mataram meus guardas e levaram Catarina Smirnova. Levaram minha honra.

Houve um murmúrio. Alguns rostos empalideceram; outros se inclinaram, calculando.

Angelo (capo de M
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