Narrado por Don Marcello
O som do copo batendo na mesa ecoou pelo salão. O uísque respingou sobre o mármore, manchando como sangue fresco. Eu já estava de mau humor desde o amanhecer — a noite anterior tinha sido longa, e a lembrança da humilhação, insuportável.
Quando a porta se abriu e Yakov Smirnova entrou, o ar do ambiente pareceu congelar. O homem tinha olheiras profundas, o rosto cortado e uma expressão de quem carregava uma má notícia que valia mais que a própria vida.
Marcello: — Espero que tenha vindo me dar boas notícias, Smirnova.
Ele respirou fundo.
Yakov: — Não, Don Marcello… Eu vim avisar que fomos atacados.
O silêncio se estendeu. Eu me inclinei devagar para frente, o punho fechando sobre a mesa.
Marcello: — Atacados? Por quem?
Yakov: — Pelos russos. Pelos homens de Dmitri Volkov.
O nome dele me fez rir — um riso curto, perigoso, cheio de raiva.
Marcello: — Dmitri Volkov. O príncipe russo que acha que o mundo se curva quando ele respira.
Yakov: — Eles mataram meus segur