Narrado por Mikhail
Ela disse “quero”, com firmeza doce, como quem se entrega ao próprio destino pela primeira vez com as mãos abertas. E eu soube — com a nitidez de um homem que conhece a guerra — que nada no mundo, nem a lâmina, nem a tradição, nem a história, era mais importante do que aquela escolha.
Me aproximei, em silêncio, e toquei o rosto dela com as pontas dos dedos. Estávamos inteiros. Ainda vestidos — ela com o vestido que marcou um novo nome, eu com o terno que firmava uma aliança diante de todos. Mas agora, naquele quarto só nosso, cada dobra de tecido parecia entre nós como um cuidado a ser desfeito devagar.
Toquei a manga rendada do vestido. Os olhos dela pediam tempo.
Mikhail: posso?
Catarina: pode.
Abaixei o zíper das costas com lentidão. Senti o tremor leve na pele dela quando a roupa começou a soltar. Os detalhes em renda, a leveza do véu caindo, os botões forrados — tudo pedia reverência. Eu não tirava o vestido. Eu a libertava dele. Com cada grampo que soltava do