Narrado por Mikhail
O jardim tinha parado no ar. Lanternas tremulavam, o livro do conselho já estava fechado sobre a mesa, e o cheiro de jasmim misturava-se com o metal leve da noite. Eu segurava a mão de Catarina, sentindo a pulsação nos dedos dela — rápida, sincera. A cerimônia terminara. O silêncio, pesado de significados, nos rodeava.
Dmitri deu dois passos para frente, a capa do casaco abrindo como um parêntese. O olhar era o do Don, porém o canto da boca denunciava o amigo.
Dmitri: — Muito bonito. Agora, consumam o casamento como se deve. O conselho gosta de tradições.
Catarina baixou os olhos por um segundo; vi o rubor subir nas maçãs do rosto. Apertei de leve a mão dela.
Mikhail: — Registrado, Don.
Dmitri tocou meu ombro, breve, e inclinou a cabeça para Catarina com um respeito que poucos conhecem nele. Virou-se para Anya; o jardim retomou um burburinho discreto, como se todos fingissem não ter ouvido a ordem.
Inclinei o rosto até a orelha de Catarina.
Mikhail: — Nós subimos n