Narrado por Darya
Acordei com o cheiro de café e a lembrança do homem errado. Péssima combinação pra começar o dia.
A Polina já tava sentada na varanda, com o cabelo preso de qualquer jeito e uma cara de derrota que eu nunca tinha visto nela.
Darya: — Você tá viva?
Polina: — Infelizmente.
Puxei a cadeira e sentei ao lado. O sol batia de leve, e a mansão parecia mais silenciosa que o normal — talvez porque o Mikhail, o nosso “projeto de diversão”, agora era um homem casado. Casado de verdade. Com cerimônia, sangue no livro e tudo.
Suspirei alto.
Darya: — A gente devia mandar flores pra gente mesma. Tipo: “Descansem em paz, meninas, foi bom enquanto durou.”
Polina: — Eu nem sei como vou sobreviver sem aquele sorriso canalha dele.
Darya: — Sorriso, é? Eu tava pensando mais no resto.
Polina: — Darya!
Darya: — O quê? Eu tô de luto, me deixa ser sincera.
Ela começou a rir, mas aquele riso de quem tá disfarçando a bad. Tomou um gole do café e ficou olhando pro jardim, como se fosse o lugar o