Mundo ficciónIniciar sesiónA luz do sol invadiu o quarto sem pedir permissão.
Forte. Incomodando. Alana se mexeu lentamente na cama, sentindo o corpo pesado… e a mente ainda mais. Por alguns segundos, ela ficou ali, de olhos fechados, tentando entender onde estava. Até que tudo voltou. De uma vez. A festa. Kael. O beijo. A noite. O coração dela acelerou. Os olhos se abriram rapidamente. Ela se sentou na cama, olhando ao redor. Silêncio. Frio. Vazio. Sozinha. — Claro… — murmurou, passando a mão no rosto. Aquilo não deveria surpreender. No fundo, ela já sabia. Homens como ele não ficavam. Não explicavam. Não se importavam. Alana levantou da cama devagar, sentindo um aperto estranho no peito. Olhou ao redor mais uma vez. Nenhum sinal dele. Nenhuma mensagem. Nada. Como se tudo aquilo tivesse sido apenas um momento… E só. — Foi um erro… — sussurrou para si mesma. E precisava acabar ali. Ela se vestiu rapidamente, pegou suas coisas e saiu daquele lugar sem olhar para trás. O caminho de volta foi silencioso. Pesado. Cheio de pensamentos que ela tentava evitar. Mas era impossível. Kael não saía da cabeça dela. O jeito que ele olhava. O jeito que ele falava. O jeito que ele dominava tudo ao redor… Inclusive ela. — Para com isso — murmurou, irritada consigo mesma. Aquilo precisava acabar. E ia acabar. Horas depois… Alana caminhava pela rua, tentando voltar à rotina. Mas algo estava diferente. As pessoas estavam estranhas. O clima… tenso. Homens parados em pontos estratégicos. Carros escuros passando devagar. Olhares desconfiados. Seu coração começou a bater mais rápido. — O que tá acontecendo…? Ela diminuiu o passo. Algo dentro dela dizia para ir embora. Para sair dali. Mas, antes que pudesse fazer qualquer coisa… Um carro preto parou no meio da rua. O tempo pareceu desacelerar. O ar ficou pesado. A porta do carro se abriu. E ele desceu. Kael. Mas não era o mesmo homem da noite anterior. Agora… Ele era outra pessoa. O olhar frio. A postura dominante. A presença que fazia tudo ao redor silenciar. As pessoas abaixavam a cabeça. Outras simplesmente saíam do caminho. Ninguém ousava encarar. Ninguém ousava falar. — Abaixa a cabeça — alguém sussurrou ao lado dela. Alana não se mexeu. Não conseguia. Estava paralisada. Confusa. Até ouvir: — É ele… — O dono do morro. O mundo dela girou. O coração disparou com força. — Não… — ela sussurrou, sem acreditar. Tudo começou a fazer sentido. O jeito dele. A frieza. O controle. O perigo. Kael não era só um homem qualquer. Ele era o homem mais temido dali. O tipo de homem que ninguém enfrentava. O tipo de homem que ninguém desafiava… E ela tinha passado a noite com ele. O olhar dele percorreu o lugar. Observando tudo. Controlando tudo. Até parar nela. Direto. Intenso. Sem desviar. Alana sentiu o corpo inteiro gelar. Ele lembrava dela. Claro que lembrava. E o pior… Ele estava vindo na direção dela. Cada passo dele parecia mais pesado que o anterior. Mais dominante. Mais perigoso. As pessoas ao redor se afastavam automaticamente. Abrindo caminho. Como se aquilo fosse natural. Como se ele fosse dono de tudo. E talvez fosse. Alana tentou recuar. Mas seus pés não obedeceram. O corpo travou. A mente gritou. Mas ela ficou ali. Parada. Esperando. Kael parou bem na frente dela. Perto demais. O mesmo olhar intenso. Mas agora… muito mais frio. — Então foi pra isso que você sumiu? — ele disse, a voz baixa. Alana engoliu seco. — Eu… eu não sumi. Mentira fraca. E ele sabia. O olhar dele escureceu. — Não mente pra mim. O tom não era alto. Mas era pior. Era uma ameaça. O coração dela disparou. — Eu não te devo nada — ela respondeu, tentando parecer firme. Erro. Um grande erro. Kael deu um passo à frente. Invadindo completamente o espaço dela. — Deve sim — ele disse, baixo. — Você me deve explicação. O ar ficou pesado. Difícil de respirar. Alana ergueu o olhar, tentando não se intimidar. — Aquilo foi só uma noite. O silêncio caiu. Perigoso. E então… Ele sorriu. Mas não era um sorriso bom. Era frio. Calculado. — Pra você, talvez — ele disse. — Pra mim… não. O coração dela falhou uma batida. E naquele momento… Alana percebeu. Aquilo estava longe de acabar. Na verdade… Só estava começando.






