Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlana sabia que deveria ir embora.
Cada parte do seu corpo gritava por isso. Mas, estranhamente… ela não conseguia se mover. Kael estava perto demais. O olhar dele preso no dela, intenso, como se enxergasse além do que ela mostrava. — Você sempre foge… ou só quando fica com medo? — ele provocou, a voz baixa e controlada. Alana cruzou os braços, tentando esconder o quanto estava afetada. — Eu não tenho medo. Mentira. E ele sabia. O leve sorriso no rosto dele entregava isso. — Tem sim — ele disse, dando mais um passo. — Mas não de mim. O coração dela disparou. — Então de quê? Ele se inclinou levemente, ficando ainda mais próximo. — De querer ficar. O ar pareceu sumir. Alana desviou o olhar por um segundo, tentando recuperar o controle. Mas quando voltou a encará-lo… já era tarde. Ele segurou a mão dela. Firme. Quente. Dominante. O toque fez seu corpo inteiro reagir. — Vem comigo — ele disse. Não foi um pedido. Foi uma decisão. O carro era silencioso demais. Luxuoso demais. E aquilo só aumentava a sensação de que ela estava entrando em algo perigoso. Alana olhava pela janela, observando as luzes da cidade passarem rápido, tentando organizar os pensamentos. Mas era impossível. Tudo nela estava confuso. — Você sempre leva desconhecidas pra casa? — perguntou, tentando manter alguma distância. Kael não respondeu na hora. Apenas a observou, como se estivesse avaliando cada reação dela. — Só as que me interessam. Ela engoliu seco. — E por que eu? Ele virou o rosto na direção dela, sem hesitar. — Porque você não é como as outras. Aquilo deveria soar como uma cantada. Mas não soou. Soou como algo mais sério. Mais profundo. Mais perigoso. Alana desviou o olhar novamente, sentindo o coração bater mais forte do que deveria. — Você nem me conhece. — Conheço o suficiente. — E o que você acha que sabe? Ele demorou um segundo antes de responder. — Que você tenta parecer forte… mas tá fugindo de alguma coisa. Aquilo acertou em cheio. Alana ficou em silêncio. Ele tinha ido longe demais. — Você fala demais pra alguém que acabou de me conhecer — ela respondeu, tentando se defender. — E você se protege demais pra alguém que claramente quer se perder. O silêncio que veio depois foi pesado. Carregado de algo que nenhum dos dois queria admitir. Quando chegaram, Alana não conseguiu esconder a surpresa. A cobertura era enorme. Elegante. Fria. Com uma vista que dominava toda a cidade. Luzes se espalhavam como estrelas lá embaixo. Era bonito. Mas também… solitário. — Bonito, né? — ele perguntou. — Demais… — ela respondeu, quase sem perceber. Mas não era da vista que ela estava falando. Kael se aproximou devagar. Sem pressa. Como se tivesse todo o controle da situação. E talvez tivesse. — Última chance — ele disse. — Você pode ir embora agora. Alana sabia. Aquele era o momento. Se ela fosse embora… Nada daquilo aconteceria. Nada mudaria. Mas… Ela não se mexeu. — E se eu não quiser ir? O olhar dele escureceu. O ambiente pareceu ficar menor. Mais fechado. Mais perigoso. Kael ergueu a mão lentamente e tocou o rosto dela. O polegar deslizou pela pele com uma calma que não combinava com ele. — Então você fica. O beijo veio sem aviso. Forte. Intenso. Dominante. Como se ele estivesse esperando por aquilo desde o momento em que a viu. Alana tentou resistir por um segundo. Mas foi inútil. Quando percebeu… Já estava completamente envolvida. As mãos dele puxaram seu corpo contra o dele, sem espaço para dúvidas. Sem espaço para fuga. O calor entre os dois cresceu rápido demais. Perigoso demais. — Isso é errado… — ela murmurou entre o beijo. — Eu nunca prometi ser certo — ele respondeu, a voz rouca. Aquilo só piorou tudo. Ou melhor… Só tornou impossível parar. Naquela noite… Alana se perdeu. Nos braços de um homem que ela não conhecia. Mas que, de alguma forma… Parecia conhecer exatamente cada fraqueza dela. Cada reação. Cada limite. E ultrapassar todos eles. Horas depois… O silêncio tomou conta do quarto. A respiração ainda pesada. O corpo quente. Mas o clima havia mudado. Kael estava distante. Frio. Como se tivesse voltado a ser aquele homem inacessível. Alana virou o rosto na direção dele. — Isso foi um erro… — sussurrou. Ele demorou alguns segundos para responder. Quando respondeu… Foi direto. — Foi. A resposta caiu como um peso. Sem emoção. Sem arrependimento. Sem nada. Alana fechou os olhos por um instante. Aquilo não deveria incomodar. Mas incomodou. Mais do que ela gostaria de admitir. — Então por que você me trouxe aqui? Ele virou o rosto lentamente, encarando ela de novo. — Porque eu quis. Simples. Frio. Definitivo. E naquele momento… Alana entendeu. Ela não sabia quem ele era. Não sabia o que ele fazia. Não sabia o tipo de vida que ele levava. Mas sabia de uma coisa. Kael não era um homem comum. E se envolver com ele… Nunca seria algo simples. E, no fundo… Ela sentia. Aquilo ainda ia dar muito errado.






