Mundo de ficçãoIniciar sessãoAs mãos de Alana tremiam.
O pequeno teste parecia pesar toneladas entre seus dedos. Ela não queria olhar. Não podia olhar. Mas, mesmo assim… Olhou. Duas linhas. O mundo parou. O ar ficou preso nos pulmões. — Não… — a voz saiu fraca. — Isso não pode estar acontecendo… O coração começou a bater rápido demais, descompassado, como se quisesse fugir do próprio peito. Grávida. Ela estava grávida. E não era de qualquer homem. Era dele. Kael. Alana deu um passo para trás, encostando na parede do banheiro. As pernas fraquejaram. A mente girava. — Isso não é real… — murmurou, passando a mão no cabelo. Mas era. Totalmente real. Inescapável. Ela olhou novamente para o teste, como se esperasse que o resultado mudasse. Que fosse um erro. Uma confusão. Mas as duas linhas continuavam lá. Firmes. Inquestionáveis. — O que eu vou fazer agora…? A pergunta saiu em um sussurro. Carregado de medo. De desespero. De incerteza. Contar pra ele? A ideia fez seu estômago revirar. Ela lembrava do olhar de Kael. Frio. Dominante. Perigoso. Ele não era um homem comum. Era alguém acostumado a mandar. A controlar. A decidir. E se ele não quisesse o bebê? E se aquilo fosse um problema pra ele? Um erro a ser apagado? O corpo dela gelou. Alana levou a mão até a barriga, ainda sem acreditar. Era cedo demais. Não havia sinal nenhum. Mas, de alguma forma… Ela já sentia. Já sabia. — Eu não vou deixar ninguém te machucar… — sussurrou. A voz ainda tremia. Mas havia decisão ali. Uma lágrima escorreu pelo rosto. Ela limpou rápido. Não podia se dar ao luxo de desmoronar. Não agora. Alana saiu do banheiro devagar, como se o mundo tivesse mudado completamente. E tinha. Tudo estava diferente. As cores. Os sons. Os pensamentos. Nada mais era simples. Ela andou pelo quarto, tentando pensar. Organizar. Controlar. Mas era impossível. A única coisa que vinha à mente era ele. Kael. — Eu preciso sair daqui… — disse, quase sem voz. Ficar ali não era seguro. Ficar na mesma rotina não era seguro. Ele podia aparecer a qualquer momento. E agora… Tudo era mais complicado. Muito mais. Ela começou a arrumar algumas coisas às pressas. Roupas. Documentos. O essencial. As mãos ainda tremiam, mas agora era diferente. Não era só medo. Era urgência. — Eu tenho que proteger meu filho… As palavras saíram mais firmes dessa vez. Mais reais. Mais fortes. Mas, no fundo… Uma dúvida começou a surgir. E se ele descobrisse? E se Kael soubesse? O coração dela disparou novamente. Porque, diferente dela… Ele não era alguém que aceitava perder algo. Muito menos alguém que deixava algo escapar. — Não… ele não pode saber. A decisão foi imediata. Instintiva. Ela precisava sumir. De novo. Mas dessa vez… De verdade. Alana pegou a bolsa e foi até a porta. Mas antes de sair… Parou. A mão travada na maçaneta. Respiração presa. Porque, por mais que tentasse negar… Havia algo dentro dela que ainda pensava nele. No toque. No olhar. Na forma como ele a fazia sentir. — Isso precisa acabar — ela disse, firme. Como se estivesse tentando convencer a si mesma. E então saiu. Sem olhar para trás. Sem hesitar. Sem saber… Que, naquele exato momento… Alguém observava cada passo seu. Do outro lado da rua. Dentro de um carro escuro. Kael. O olhar dele estava fixo nela. Frio. Calculista. E, ao mesmo tempo… Carregado de algo novo. Algo mais intenso. Mais perigoso. — Ela tá fugindo — disse um dos homens ao lado. Kael não respondeu. Não desviou o olhar. — Quer que a gente vá atrás? Silêncio. Pesado. Tenso. Então, finalmente… Kael falou. — Não. A resposta foi baixa. Controlada. Mas cheia de intenção. — Deixa ela correr. O homem ao lado franziu a testa, sem entender. — Tem certeza? Kael inclinou levemente a cabeça, observando Alana desaparecer na esquina. E então… Um sorriso de canto surgiu. Frio. Confiante. — Porque, mais cedo ou mais tarde… A voz dele saiu calma. Perigosa. — Ela volta pra mim. E, sem saber… Alana estava fugindo não só de um homem… Mas de alguém que já a considerava sua. E pior ainda… Ela carregava um segredo… Que mudaria tudo.






