Antony
O sol da manhã corta o horizonte como uma lâmina, tingindo os campos do rancho de um dourado tão vivo que quase queima os olhos. Estaciono a caminhonete na entrada, o ronco do motor morrendo enquanto o cheiro de terra seca e feno sobe pelo ar quente. Volto da competição de ontem à noite, o corpo ainda zumbindo de adrenalina, os músculos doloridos como se eu tivesse lutado com o próprio diabo. O touro quase me jogou no chão, mas segurei firme, a multidão rugindo meu nome, o placar piscando minha vitória. Deveria me sentir leve, como sempre depois de um rodeio, mas não hoje. Não com a culpa de Brian me esmagando, a ameaça invisível rondando como uma sombra, e Carol me odiando. Subo os degraus da varanda, as botas ecoando na madeira polida, o som pesado como o aperto no peito. Preciso falar com ela. Preciso consertar isso.
A casa está quieta, o cheiro de café fresco pairando no ar, misturado com o aroma doce de pão de milho que Emma deve estar tirando do forno. Não ouço Evelyn ou