Mundo ficciónIniciar sesiónTrinta minutos depois, Eloise estava sentada no terraço de pedra nos fundos da casa. Ela havia lavado o rosto com água gelada até a pele ficar dormente, tentando apagar os vestígios do choro e do sono no chão. Prendera o cabelo de qualquer jeito e continuava com o mesmo vestido de linho amassado.
O almoço foi servido por um empregado jovem que não fez contato visual. Uma salada elaborada e um peixe grelhado que cheirava divinamente, mas que na boca de Eloise tinha gosto de papelão. Ela comeu mecanicamente, forçando cada garfada goela abaixo sob o olhar vigilante da Sra. Valerius, que permanecia parada na porta de vidro como uma gárgula de uniforme cinza. O ar fresco do jardim, que mais cedo parecera uma promessa de liberdade, agora só ressaltava o isolamento. As câmeras de segurança nos postes giravam lentamente, zumbindo como insetos mecânicos, lembrando-a de que cada movimento seu, cada garfada, estava sendo gravado. Ela mal havia terminado a refeição quando o som de uma moto se aproximando quebrou o silêncio. Um entregador parou no portão de serviço, trocou algumas palavras com o segurança armado e passou um pacote. Minutos depois, a Sra. Valerius aproximou-se da mesa de ferro forjado onde Eloise estava sentada. Ela carregava uma caixa preta retangular, elegante e semiposição, com o nome de uma boutique de luxo gravado em prata discreta na tampa. A governanta colocou a caixa na frente de Eloise. — Chegou para a senhora. Do Sr. Aubrey. O coração de Eloise deu um salto doloroso no peito. O nome dele, dito naquele ambiente "seguro" do almoço, foi como uma violação. Ela olhou para a caixa preta como se contivesse uma bomba. — Abra — ordenou a Sra. Valerius, sem emoção. Com mãos trêmulas, Eloise levantou a tampa pesada. O farfalhar do papel de seda preto soou alto demais no silêncio do terraço. Dentro, aninhados no papel, estavam dois objetos. O primeiro era um par de sapatos de salto agulha de verniz preto. Eram altíssimos, com um arco severo que prometia desconforto imediato e dificuldade de equilíbrio. Eram sapatos feitos para exibir a perna e limitar o movimento, não para caminhar. Ao lado deles, repousava uma tira de veludo preto. Eloise pegou-a, sentindo a maciez do tecido contra a pele fria dos dedos. Era uma gargantilha. Simples, sem adornos, exceto por um pequeno fecho de prata na parte de trás. Não parecia uma joia. Parecia uma coleira. Debaixo da gargantilha, havia um cartão de papel branco e grosso. Eloise o pegou. Havia apenas duas linhas escritas na caligrafia angular e agressiva de Aubrey: Para o jantar. Pratique andar com eles. Não quero tropeços. Eloise soltou o cartão como se ele queimasse. A bile subiu à sua garganta. O almoço tranquilo fora uma ilusão. Aubrey estava ali, naqueles objetos, ditando como ela deveria se apresentar para o prazer dele naquela noite. Ele não estava apenas vestindo-a; ele estava marcando-a e restringindo-a. Ela olhou para a Sra. Valerius, buscando qualquer traço de simpatia, mas encontrou apenas o mesmo rosto de pedra. — Sugiro que comece a praticar, senhora — disse a governanta, olhando significativamente para os saltos agulha assassinos. — O Sr. Aubrey detesta imperfeições. Eloise olhou para a caixa preta. Os presentes brilhavam sob a luz difusa da tarde, promessas frias da dor e da humilhação que a aguardavam quando o sol se pusesse. O resto da tarde foi um borrão de náusea e ansiedade. Sob o olhar crítico da Sra. Valerius, Eloise calçou os sapatos de salto agulha. O verniz preto era rígido, e o ângulo forçado de seus pés enviava fisgadas de dor pelos tornozelos e panturrilhas a cada passo. Ela cambaleou pelo quarto, sentindo-se uma equilibrista inexperiente numa corda bamba sobre um abismo. A governanta observou por dez minutos, fez um único comentário seco — "Melhore a postura. O Sr. Aubrey não tolera desleixo." — e finalmente a deixou sozinha. Exausta, com os pés latejando, Eloise tirou os sapatos malditos e se jogou na cama. Faltavam duas horas para as sete. O medo do retorno de Aubrey era uma presença física no quarto, crescendo como uma sombra à medida que o sol começava a baixar. Ela precisava de uma distração. Qualquer coisa para não pensar na gargantilha de veludo que a esperava na caixa preta. Seus olhos vagaram pelo quarto estéril e pousaram na mesa de cabeceira do lado que ela ocupara na noite anterior. Havia algo lá que não estava antes. Um tablet fino, de última geração, com a tela escura, apoiado contra o abajur. O coração de Eloise acelerou. Ela sabia que não devia tocar. Nada naquela casa era deixado por acaso; tudo era uma armadilha ou um teste de Aubrey. Mas a curiosidade, misturada com um desespero faminto por qualquer informação do mundo exterior, foi mais forte. Ela estendeu a mão trêmula e tocou na tela. O aparelho ganhou vida instantaneamente. Não havia senha. A tela abriu diretamente em uma galeria de fotos. Havia apenas duas imagens. A primeira fez o estômago de Eloise revirar. Era uma foto profissional, retirada de uma coluna social online daquela mesma manhã. Sua mãe, Virgínia Montener, estava no centro de um salão de festas luxuoso, segurando uma taça de champanhe. Ela usava um vestido que Eloise nunca tinha visto — seda azul-safira que devia custar uma fortuna — e, no pescoço, um colar de diamantes e safiras que brilhava obscenamente sob os flashes. Virgínia estava rindo, a cabeça jogada para trás num gesto de alegria despreocupada. A legenda da foto dizia: "A viúva Montener, Virgínia, radiante em evento beneficente, celebrando a recente e milagrosa recuperação financeira da família." Eloise sentiu uma lágrima quente escorrer pelo rosto. Ali estava o preço de sua venda. Sua mãe não estava de luto pela perda da filha; ela estava celebrando o lucro da transação. Os diamantes no pescoço de Virgínia eram as lágrimas e o sangue de Eloise. Com os dedos dormentes, ela deslizou para a segunda foto. O mundo parou. O ar fugiu de seus pulmões em um engasgo doloroso. Era Riche. A foto parecia ter sido tirada por uma câmera de segurança ou por alguém escondido à distância. Ele estava num saguão de aeroporto movimentado, carregando uma mochila grande. Ele não parecia estar fugindo desesperado, com medo da polícia ou dos capangas de Aubrey. Ele estava sorrindo. Ele estava de braços dados com uma garota loira que Eloise não conhecia. Eles pareciam um casal jovem e feliz saindo de férias. Havia um carimbo de data e hora no canto inferior da imagem. Hoje. 14h30. Aeroporto Internacional. O tablet escorregou das mãos de Eloise e caiu no edredom. Não houve grito. A dor era profunda demais para fazer barulho. Era um silêncio interno, o som de algo fundamental se quebrando dentro dela. Riche não tinha sido preso. Ele não estava lutando para salvá-la. Ele tinha pegado o dinheiro — talvez pago por Aubrey para desaparecer, talvez o dinheiro que ele supostamente roubara — e tinha ido embora. Ele a havia substituído e seguido em frente em menos de vinte e quatro horas. Ela estava sozinha. A compreensão caiu sobre ela com o peso esmagador de uma sentença final. O mundo lá fora — sua mãe, o homem que ela amava — não estava preocupado com ela. Eles estavam vivendo, lucrando e sorrindo, enquanto ela estava trancada naquela fortaleza de vidro, treinando para ser a escrava de um monstro. Aubrey tinha vencido antes mesmo de entrar no quarto. Ele não precisava bater nela para quebrá-la. Ele só precisava lhe mostrar a verdade: ninguém viria buscá-la. Eloise encolheu-se na cama, puxando os joelhos contra o peito. As lágrimas secaram, substituídas por um vazio frio e aterrorizante. Ela olhou para o relógio. Seis horas. Ela se levantou, movendo-se como um fantasma. Pegou a caixa preta. Tirou o vestido de linho e foi para o banheiro se preparar para o seu dono, sem mais esperança, sem mais luta, apenas um corpo oco esperando para ser preenchido pelas ordens dele. O relógio biológico do medo de Eloise estava sincronizado com a precisão suíça da rotina de Aubrey. Ela ouviu o carro. Ouviu a porta da frente. Ouviu os passos na escada. Desta vez, ela não estava sentada na cama. Ela estava de pé no centro do quarto, nua, exceto pela calcinha de algodão. Ela havia aprendido a primeira lição: não o faça esperar para despi-la. Seus braços estavam cruzados sobre o peito num abraço protetor frágil, tentando conter os tremores que sacudiam seu corpo. A porta se abriu. Aubrey não parou no batente para fazer suspense. Ele entrou com a energia de um dono que retorna para verificar seu investimento. Ele ainda usava o terno impecável do dia de trabalho, a gravata azul ligeiramente afrouxada, a única concessão ao fim do expediente. Ele parou a dois metros dela. Seus olhos azuis varreram o corpo dela, não com luxúria, mas com uma avaliação clínica. Ele notou a postura curvada, os olhos vermelhos e inchados (ele sabia que ela tinha visto o tablet; ele programara para que ela visse), e a nudez expectante. — Melhor — ele disse, a voz grave preenchendo o silêncio do quarto. — Você aprende rápido quando está devidamente motivada. Ele caminhou até a mesa onde ela havia deixado a caixa preta aberta. Ele pegou a gargantilha de veludo. — Aproxime-se. Eloise obedeceu, seus pés descalços arrastando-se no carpete. Ela parou diante dele, o cheiro de seu poder e frieza invadindo suas narinas. Ela manteve os olhos baixos, fixos no nó da gravata dele. — Levante o queixo. Ela ergueu a cabeça. Aubrey segurou a gargantilha com as duas mãos e a trouxe para o pescoço dela. O veludo era macio, mas quando ele fechou o pequeno fecho de prata na nuca dela, a sensação foi de um peso sufocante. Não estava apertado a ponto de enforcar, mas era justo o suficiente para que ela sentisse a presença constante do tecido contra a pele da garganta a cada respiração, a cada batimento cardíaco acelerado. Ele ajustou a fita com um toque possessivo dos dedos. — Agora você parece adequada — ele murmurou, admirando seu trabalho. O contraste do veludo preto contra a pele pálida do pescoço dela era gritante. Uma marca de propriedade. Ele apontou para os sapatos de salto agulha que ainda estavam na caixa. — Calce-os. Eloise pegou os sapatos de verniz preto. Suas mãos tremiam tanto que ela demorou para conseguir enfiar os pés. Quando finalmente se levantou, o mundo inclinou-se. Os saltos de quinze centímetros forçaram sua postura, empinando sua bunda, arqueando suas costas e tencionando as panturrilhas. Ela oscilou, tendo que abrir os braços para se equilibrar. Aubrey a observou lutar contra a gravidade com um sorriso de canto de boca. — Instável — ele comentou. — Como uma potranca recém-nascida. Você vai aprender a andar neles, mas por enquanto, a instabilidade serve ao meu propósito. Ela te torna dependente. Ele se sentou na poltrona de couro, cruzando as pernas, parecendo o CEO de uma multinacional prestes a conduzir uma entrevista de emprego bizarra. — A lição de hoje é sobre postura e apresentação. Ontem, eu provei que seu corpo é uma puta. Hoje, você vai aprender a agir como uma. Ele fez um gesto com a mão, indicando o espaço vazio no carpete diante dele. — De quatro, Eloise. O comando foi um soco no estômago. Ajoelhar de manhã já tinha sido humilhante, mas ficar de quatro, nua exceto por uma coleira e saltos altos, diante de um homem totalmente vestido, era a redução final à condição animal. Ela hesitou, uma última faísca de dignidade moribunda protestando. Aubrey não repetiu a ordem. Ele simplesmente começou a se levantar da poltrona. O movimento foi suficiente. O terror de ser tocada com violência por ele venceu a vergonha. Eloise se abaixou rapidamente, os joelhos batendo no carpete. Ela apoiou as mãos no chão. A posição era desconfortável; os saltos altos forçavam seus quadris para cima, expondo-a completamente à visão dele. Aubrey voltou a se sentar, satisfeito. — Olhe para mim. Ela virou a cabeça por cima do ombro, o pescoço protestando contra a coleira. — A primeira regra de uma boa puta, Eloise, é que ela está sempre disponível. Sempre exposta. — A voz dele era calma, didática, o que tornava tudo mais obsceno. — Você não cobre o peito. Você não tenta esconder sua vergonha. Você a apresenta para mim. Ele se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. — Arqueie as costas. Empine mais. Ela obedeceu, forçando a coluna numa curva exagerada. A posição fazia seu sexo e seu ânus ficarem em evidência, um convite aberto e vulnerável. Ela se sentia queimando de humilhação, as lágrimas picando seus olhos novamente. — Muito bem. — Aubrey estendeu a mão. Ele não a tocou suavemente. Sua palma aberta atingiu a nádega direita dela com um estalo seco e forte. Eloise gritou de surpresa e dor, o corpo inteiro se contraindo, quase perdendo o equilíbrio nos saltos. A pele ardeu instantaneamente. — Fique parada — ele rosnou. — Eu não disse que você podia se mexer. Ele bateu novamente. Estalo. Mais forte dessa vez, na outra nádega. A dor era aguda, superficial, mas o significado era profundo. Ele estava marcando-a, disciplinando-a como um animal teimoso. — Isso não é sobre prazer ainda, Eloise. Isso é sobre você entender o seu lugar. — Ele bateu uma terceira vez, e uma quarta, estabelecendo um ritmo. A pele dela começou a ficar vermelha e quente sob os golpes. — Você está usando minha coleira. Você está na posição que eu mandei. Você vai receber o que eu decidir te dar. Ele parou depois do décimo tapa. As nádegas dela estavam latejando, a pele sensível e quente. Eloise estava ofegante, as lágrimas escorrendo livremente, pingando no carpete entre suas mãos. Aubrey se levantou e caminhou até ficar atrás dela. Ela podia sentir o calor do corpo dele, ouvir o som do cinto dele sendo aberto. — Agora — ele sussurrou, a voz rouca, a mão grande segurando o quadril dela com força, mantendo-a na posição. — Vamos ver se você aprendeu a lição de ontem sobre honestidade. Diga-me o que você é, Eloise. Diga-me para que serve essa posição. Ela engoliu o choro, a garganta apertada pela coleira e pela vergonha. Ela sabia o que ele queria ouvir. Ele já tinha escrito o roteiro para ela naquela manhã. — Eu sou... — a voz dela falhou. Ele apertou o quadril dela com força, cravando os dedos onde ele havia batido, misturando a dor do aperto com o ardor dos t***s. — Diga. — Eu sou sua puta — ela sussurrou, a confissão saindo como um vômito, destruindo o último fragmento da garota que ela costumava ser. — Eu sirvo para o seu prazer. A confissão sussurrada de Eloise pairou no ar abafado do quarto: Eu sou sua puta. Eu sirvo para o seu prazer. Aubrey soltou um som baixo no fundo da garganta, um rosnado de aprovação sombria. — Bom — ele disse, a voz áspera. — Pelo menos a sua boca aprendeu a dizer a verdade. Agora vamos ver se o resto de você concorda. Ele não lhe deu tempo para se preparar. Ainda segurando o quadril dela com uma mão, mantendo-a na posição vulnerável de quatro, ele usou a outra mão para invadir o espaço entre as coxas dela. Ele não foi gentil. Ele deslizou dois dedos profundamente dentro dela, sem aviso prévio. Eloise engasgou, a cabeça jogada para trás, a gargantilha de veludo apertando sua traqueia com o movimento brusco. A invasão foi chocante, mas o que foi pior foi a facilidade com que ele entrou. Aubrey moveu os dedos dentro dela, testando, medindo. Ele retirou a mão e esfregou o polegar molhado contra a pele sensível e avermelhada das nádegas dela, logo acima de onde ele havia batido. — Olhe para isso — ele zombou, a voz gotejando desprezo triunfante perto do ouvido dela. — Você está encharcada, Eloise. Sua mente pode estar chorando, mas o seu corpo de puta estava esperando por isso. A vergonha queimou Eloise mais forte do que os t***s. Ela fechou os olhos com força, tentando bloquear a realidade, mas os sentidos estavam sobrecarregados. O cheiro dele, a dor latejante na pele, a umidade humilhante entre as pernas. Ela ouviu o som final do zíper dele descendo. O farfalhar de tecido. — Mantenha a posição — ele ordenou, a mão dele voltando para o quadril dela, os dedos cravando na carne macia. — E receba o que você disse que serve para receber. Ele se posicionou atrás dela. Eloise sentiu a ponta dura dele pressionando contra a sua entrada, quente e implacável. Não houve preliminares. Não houve beijo. Houve apenas a posse. Aubrey empurrou os quadris para frente, penetrando-a com uma estocada única e profunda, enterrando-se nela até a base. Eloise gritou, o som abafado contra o carpete. A sensação era avassaladora. Ela estava muito exposta, o ângulo da posição permitindo que ele atingisse uma profundidade que beirava a dor. Ele não esperou que ela se ajustasse. Ele começou a se mover. Rápido. Brutal. Aubrey segurou a cintura dela com ambas as mãos, usando-a como âncora para aumentar a força de suas estocadas. O som de pele batendo contra pele preencheu o quarto, um ritmo obsceno e acelerado. — Diga de novo — ele rosnou, a respiração ficando pesada, batendo nas costas suadas dela. — Diga o que você é enquanto eu te fodo. Eloise balançou a cabeça negativamente, mordendo o lábio até sentir gosto de sangue, tentando desesperadamente manter um fragmento de si mesma. Aubrey não aceitou o silêncio. Ele soltou uma das mãos da cintura dela e agarrou a parte de trás da gargantilha de veludo. Ele puxou para cima e para trás, forçando a cabeça dela a se erguer, arqueando ainda mais suas costas, expondo sua garganta vulnerável. A coleira apertou, cortando parcialmente seu ar. — Diga! — ele gritou. O pânico de não conseguir respirar, misturado com a intensidade selvagem da penetração, quebrou sua resistência final. — Puta! — ela soluçou, a palavra saindo estrangulada. — Eu sou sua puta! O grito dela pareceu ser o gatilho que ele precisava. Aubrey aumentou o ritmo, perdendo a frieza calculada por um momento, entregando-se a uma necessidade primitiva de marcar e dominar. A fricção intensa, a dor dos t***s recentes, a falta de ar causada pela coleira e a vergonha avassaladora criaram uma tempestade sensorial no corpo inexperiente de Eloise. Era demais. Seu corpo não conseguiu processar o trauma e, em vez de desligar, entrou em curto-circuito. Uma onda de calor violenta subiu por suas coxas. Eloise tentou lutar contra ela, tentou fechar as pernas, mas Aubrey a segurava com firmeza. — Não, não, não... — ela implorou, não para ele, mas para o próprio corpo traidor. Foi inútil. O orgasmo a atingiu com a força de um acidente de carro. Seu corpo convulsionou violentamente ao redor dele, os músculos internos apertando-o em espasmos incontroláveis. Não foi prazeroso; foi uma descarga elétrica de nervos sobrecarregados, uma rendição fisiológica que a deixou soluçando de humilhação. Aubrey sentiu o aperto. Ele rosnou, um som gutural e animalesco, e deu mais três estocadas violentas, profundas, antes de se derramar dentro dela com um gemido rouco. Ele parou, apoiando o peso sobre as costas dela, a respiração irregular. Ele ainda segurava a coleira, mantendo a cabeça dela erguida. Por um longo minuto, o único som no quarto era a respiração ofegante dos dois. Então, Aubrey a soltou. Sem o apoio dele, e com as pernas tremendo incontrolavelmente nos saltos altos, Eloise desabou no carpete. Ela se encolheu, puxando os joelhos contra o peito, escondendo o rosto nas mãos, desejando poder desaparecer. Aubrey se afastou. Ela ouviu o som dele ajeitando a roupa com a mesma calma perturbadora da noite anterior. — Lição concluída — ele disse. A voz dele tinha voltado ao normal, fria e executiva, como se tivesse acabado de fechar um contrato, não violado uma mulher no chão. Ele caminhou até ela e parou, olhando para baixo. — Você pode dormir no chão hoje — ele decidiu, com a indiferença de quem fala sobre o tempo. — Parece ser o lugar adequado para você agora. Ele se virou e caminhou em direção ao banheiro, deixando Eloise sozinha na escuridão, marcada por dentro e por fora, usando a coleira que provava que ela não era mais uma pessoa, mas uma coisa que pertencia a ele.






