2. Quebrada
O ambiente confinado do carro de luxo transformou-se instantaneamente em uma cela de isolamento. O cheiro de couro novo misturado ao aroma amadeirado e caríssimo de Aubrey saturava o ar, invadindo as narinas de Eloise, impregnando-se em seus pulmões como uma fumaça tóxica.A porta se fechou com uma vedação a vácuo, abafando o mundo exterior. Não havia mais o som do vento, nem grilos, nem a respiração da casa onde ela crescera. Apenas o ronco grave e vibrante do motor ganhando vida, enviando uma trepidação sutil através do estofado que subia pelas pernas de Eloise.Ela se encolheu contra a porta do passageiro, tentando fundir-se ao vidro frio, tornar-se invisível. O vestido branco, volumoso e ridículo naquele espaço apertado, amontoava-se ao redor dela como as pétalas de uma flor murcha.Aubrey não olhou para ela enquanto arrancava com o carro. Ele dirigia com uma mão no volante, o punho cerrado, os nós dos dedos brancos contrastando com o couro preto. A velocidade aumentava, as árv
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