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Nyla
O tapa arde em meu rosto.
“Você está querendo me dizer o que fazer, bastarda imunda?” Sybella grita. Seus olhos fulminam para mim e sua mão avança na minha direção para o segundo tapa.
Sybella sempre sente a necessidade de me desfigurar em qualquer oportunidade que surge. Talvez para que as pessoas parem de comentar que somos tão parecidas, embora só tenhamos metade do mesmo sangue.
Sendo que ela tem a melhor parte disso. Ela é legítima. A filha oficial do alfa, a escolhida e protegida.
Eu sou a bastarda, isso é pior do que ser uma escrava por aqui.
Não tenho tempo de desviar, o tapa atinge o outro lado do meu rosto e minha visão fica embaçada. Caio no chão de joelhos. Sybella me pega pelos meus cabelos, puxando-os para trás com força.
Lágrimas ameaçam cair, ardendo em meu rosto, mas sei que não posso chorar, isso só faria ela me maltratar mais ainda.
“Ei, me responde! Você acha que pode mandar em mim?” Ela indaga exaltada, puxando com mais força o meu cabelo.
“Não, senhorita Sybella. Apenas quero dizer que o casamento é dentro de cinco horas. Não acho que será possível mudar o cardápio todo em tão pouco tempo.”
“Você não está aqui para achar nada! Você está aqui para me obedecer”
Ela me empurra ainda mais para o chão antes de soltar o meu cabelo.
“Agora suma da minha frente! Vá fazer o que eu mandei você fazer!” Sybella me chuta na barriga. Me curvo com dor, gemendo de forma involuntária. Isso só a deixa mais satisfeita e feliz.
Me coloco de pé com dificuldade e saio do quarto dela. Ando com passos ligeiros pelos corredores até o andar de baixo, tento me manter invisível, o que não é muito difícil. Estão todos atarefados e agitados para o casamento da Sybella com o herdeiro da alcateia Montanha Solitária.
É o casamento mais importante que essa alcateia já teve em muitos anos.
A união da Sybella com o herdeiro Ronan é para que possa ser evitada uma guerra que pode destruir muitas vidas.
O Trato das Alcateias só vai ser assinado depois de um ano do casamento já ter ocorrido. Para garantir que nenhuma das alcateias faça um ataque a outra nesse meio tempo.
Sybella tem tentado de tudo para se esquivar de se casar e sua frustração por não conseguir é descontada em mim, sua meia-irmã bastarda.
Passo as horas tentando fazer o que ela me pediu, entretanto, é impossível.
“Ouça aqui, fedelha imunda, saia do nosso caminho!” Uma cozinheira diz com ódio, ela j**a uma colher de pau em minha direção. “É impossível mudar o cardápio e pronto!”
“Eu sei disso, mas a noiva, ela quer...” tento explicar, entretanto sou interrompida com um empurrão de um dos funcionários.
“Saia da frente!”
Me encolho para ocupar o menor espaço possível na cozinha.
“Não importa agora o que ela quer!” A cozinheira rebate, brava. “O cardápio foi aprovado e já está sendo finalizado. Se vira para lidar com ela, mas não venha encher nosso saco, bastarda!”
Sou expulsa da cozinha com desprezo, gritos e ameaça de agressões.
Quando volto para o quarto da Sybella, pronta para a nova onda de maus-tratos dela, sou surpreendida com um quarto vazio.
Há uma bagunça pelo ambiente e o mais importante: a ausência da Sybella.
Em cima da cama dela, há um bilhete. É curto, direto e totalmente cruel.
“Decidi que não quero me casar. Adeus.”
A assinatura da Sybella logo abaixo demonstra que foi realmente ela que escreveu tamanha sentença contra todos nós.
Seguro o bilhete nas mãos, quase catatônica. Sem a Sybella para casar, a guerra entre nossa alcateia, Ventos do Norte, e a alcateia Montanha Solitária, é praticamente certa.
“Preciso encontrar a Sybella...” murmuro comigo mesma o comando.
“Não, nós precisamos fugir!” minha loba, Willa, dispara em minha mente desesperada. “Ela fugiu e não temos condições de encontrá-la. Eles vão pensar que a gente a ajudou e você sabe o que vão fazer conosco? Arrancar nossa pele!”
Minha loba tem razão. No momento em que perceberem que Sybella foi embora, a culpa recairá sobre mim. A guerra é um fato distante, a minha morte está muito mais próxima se eu não encontrar Sybella.
“Melhor avisarmos! Se eu falar que ela fugiu, isso pode nos poupar de um castigo ainda pior do que eles pensarem que eu a ajudei.”
“É, chicotes em vez de uma espada, é nossa melhor alternativa.” Willa responde temerosa em minha mente.
Saio em disparada em direção aos aposentos do alfa, entretanto, antes que eu chegasse em meu objetivo, sou interceptada pelo beta e alguns soldados.
“Nosso alfa, Hallstein, quer vê-la imediatamente, bastarda.” O beta declara com frieza e desprezo.
O alfa Hallstein está de pé em seu escritório, sua posição imponente preenche o cômodo de uma forma que arrepia os meus ossos e me faz sentir minúscula.
“Alfa, a senhorita Sybella, ela...” começo a falar, o nervosismo atropelando meu raciocínio, embaralhando minhas palavras e roubando de mim qualquer tentativa de parecer firme.
“Ela fugiu, estou ciente disso, Nyla.” Hallstein responde com uma calma que me surpreende. Não é uma calma que conforta, mas uma que assusta, porque parece anunciar algo pior do que um grito.
Ele anda pelo escritório e para em frente à janela. Com um movimento curto e rápido, ele dispensa os soldados, ficando apenas nós dois.
“Você devia sempre ficar ao lado da minha filha, era essa a sua função!” Ele braveja, seu tom é controlado, frio.
Sua mão atinge o meu rosto com um baque forte e rápido. Cambaleio para trás, zonza com a força com que ele me atingiu.
“Você sabe o que vai acontecer se esse casamento não for para frente, Nyla?” Hallstein indaga, encarando-me com desprezo.
Temos a mesma cor dos olhos, acinzentados. É o único traço que me liga diretamente a ele. Que o envergonha saber que teve uma filha com uma qualquer de rank baixo.
“Uma guerra, senhor...”
“Exatamente! Pelo jeito, você não é tão burra quanto eu imaginava que seria.” Ele responde com desprezo e frieza. “Nossa alcateia não suportará uma guerra sangrenta contra a alcateia Montanha Solitária.”
Hallstein anda na minha direção.
Ele pega meu queixo com força e gira meu rosto de um lado para o outro. Sinto que ele está me avaliando.
“Por causa da sua incompetência, Nyla, de manter minha filha segura para cumprir o papel dela, você terá que fazer isso.” Hallstein declara com desdém e frieza.
Congelo no lugar, catatônica, por um instante.
“O quê?” digo, chocada.
Hallstein me olha com arrogância e repulsa.
“Você vai se casar com o herdeiro da alcateia Montanha Solitária.”
Nego com a cabeça rapidamente, meu coração saltando do meu peito com tamanha incredulidade.
“Não, não. Isso é impossível!” respondo, agitada, beirando a histeria. “É loucura!”
“É a única opção que temos e você vai obedecer, Nyla!”
“Não!” respondo nervosa. “Eu não sou a Sybella. Ronan vai perceber isso, todos eles vão, e isso vai ser ainda pior! Eles podem me matar se descobrirem! Eu não vou fazer isso, você não pode me obrigar!”
Hallstein solta um suspiro longo e impaciente. Em um movimento rápido, ele agarra o meu cabelo com força e puxa para trás.
“Você vai fazer isso ou então a sua mãe, Kayla, morre.” Ele ameaça com o tom sombrio.







