Capítulo 8 – O Endereço Esquecido

Ele vestiu o casaco e caminhou até a porta do depósito.

Beatriz ficou parada por um instante, olhando novamente para as fotos espalhadas no chão. Em uma delas, Helena sorria para a câmera, com os cabelos bagunçados pelo vento.

Parecia viva demais para ser apenas uma lembrança.

Beatriz pegou a foto e guardou no bolso.

— Espere — disse ela.

Lorenzo parou na porta.

— Eu vou com você.

Ele assentiu, como se já esperasse por aquilo.

Minutos depois, eles saíram da livraria. A noite tinha caído sobre a cidade, trazendo um vento frio que fazia as luzes da rua parecerem mais distantes.

Dentro do carro de Lorenzo, o silêncio era denso.

Beatriz observava as ruas passarem pela janela, tentando imaginar o que encontrariam naquele endereço.

— Você acha que ela pode estar viva? — perguntou de repente.

Lorenzo demorou alguns segundos para responder.

— Durante muito tempo eu tive certeza de que sim.

— E agora?

Ele apertou o volante.

— Agora… eu não sei mais.

Depois de quase vinte minutos dirigindo, o carro diminuiu a velocidade.

— Chegamos — disse ele.

Beatriz olhou para fora.

O endereço levava a um prédio antigo, quase abandonado. As paredes estavam descascadas, e apenas uma luz fraca iluminava a entrada.

O lugar parecia esquecido pelo tempo.

Um arrepio percorreu a pele dela.

— Helena esteve aqui? — sussurrou.

Lorenzo olhou novamente para o papel.

— É o que vamos descobrir.

Eles saíram do carro.

Quando Beatriz deu o primeiro passo em direção ao prédio, algo chamou sua atenção.

Na porta enferrujada havia um símbolo desenhado com tinta preta.

Ela congelou.

— Lorenzo…

— O que foi?

Ela apontou para o desenho.

— Esse símbolo…

Ele se aproximou.

— Você já viu isso antes?

Beatriz engoliu seco.

— Sim.

— Onde?

Ela olhou novamente para o símbolo, sentindo o coração disparar.

— No diário da Helena.

Beatriz ficou parada diante do símbolo na parede, sentindo o coração bater cada vez mais rápido.

— No diário… — repetiu Lorenzo, pensativo. — Você ainda tem esse diário?

Beatriz assentiu.

— Está na livraria. Eu nunca consegui me desfazer dele.

Ela respirou fundo.

— Helena começou a escrever pouco antes de desaparecer. Na época eu não entendi muita coisa… parecia confuso demais.

Lorenzo olhou novamente para o símbolo.

— Talvez agora faça sentido.

Algumas horas antes…

O diário de Helena estava guardado em uma caixa antiga, no fundo de uma estante da livraria.

A capa era de couro escuro, já desgastado pelo tempo.

Beatriz o abriu com cuidado.

Algumas páginas estavam marcadas com pequenos símbolos desenhados nas margens.

Ela parou em uma página onde a letra de Helena parecia mais apressada.

Trecho do diário de Helena

"Hoje eu vi de novo.

O mesmo homem da estação.

Ele não tentou se esconder desta vez. Apenas ficou parado me observando, como se soubesse exatamente quem eu sou.

Talvez saiba.

Talvez todos eles saibam.

Eu pensei que estava exagerando, mas agora tenho certeza: estou sendo seguida.

Não posso contar isso para minha família. Eles não entenderiam.

Mas se algo acontecer comigo…

alguém precisa saber que eu não fui embora por vontade própria."

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