Mundo de ficçãoIniciar sessãoO silêncio que se seguiu pareceu pesado demais para aquele pequeno depósito cheio de caixas antigas.
Beatriz apertou os papéis contra o peito, tentando organizar a avalanche de pensamentos. — Então… você conhecia minha irmã esse tempo todo… — disse ela, a voz quase falhando. Lorenzo não respondeu imediatamente. Ele apenas observava o chão, como se cada palavra exigisse um esforço enorme. — Eu amava Helena — disse por fim, baixo. A frase caiu no ar como uma pedra em água parada. Beatriz sentiu algo estranho no peito. Não era exatamente ciúme… mas também não era indiferença. — E agora você aparece aqui… na minha livraria… na minha vida… — ela continuou, os olhos fixos nele. — Isso é coincidência? Lorenzo finalmente levantou o olhar. — Não. A resposta veio simples. Direta. Beatriz franziu a testa. — Então por quê? Ele respirou fundo antes de falar. — Porque quando eu vi você pela primeira vez… pensei que estava vendo um fantasma. Ela ficou imóvel. — Você tem o mesmo olhar que ela — ele explicou. — A mesma forma de inclinar a cabeça quando está tentando entender algo. No começo achei que fosse só impressão… mas depois vi seu sobrenome na placa da livraria. Beatriz sentiu um arrepio subir pela espinha. — E resolveu se aproximar… — Resolvi descobrir se você sabia de alguma coisa. Ela soltou uma pequena risada amarga. — Claramente não sei. Lorenzo olhou novamente para as fotos espalhadas. — Talvez agora possamos descobrir juntos. Beatriz hesitou. Durante anos, a história de Helena tinha sido um vazio doloroso na família. Uma pergunta sem resposta. Um assunto evitado nas reuniões. E agora aquele homem misterioso estava no meio de tudo. — Se você está mentindo… — ela disse devagar — eu juro que te expulso dessa livraria. Lorenzo quase sorriu. — Justo. Nesse momento, algo caiu de dentro do envelope aberto. Um pequeno pedaço de papel dobrado. Beatriz pegou. Quando abriu, sua respiração falhou. Era um endereço. E abaixo dele, uma única frase escrita à mão: “Se algo acontecer comigo, procure aqui.” Os olhos de Beatriz encontraram os de Lorenzo. — Isso… pode ser uma pista. Lorenzo já estava pegando o casaco. — Então vamos descobrir. Beatriz piscou, surpresa. — Agora? Ele abriu a porta do depósito. — Algumas respostas não gostam de esperar. Do lado de fora, a noite começava a cair sobre a cidade. E pela primeira vez em anos, Beatriz sentiu que a história de Helena talvez não tivesse terminado. Os olhos de Beatriz encontraram os de Lorenzo. — Isso… pode ser uma pista. Lorenzo pegou o papel com cuidado, como se pudesse se desfazer a qualquer momento. Seus olhos percorreram o endereço escrito à mão. — Fica do outro lado da cidade — murmurou. Beatriz sentiu o coração acelerar. Durante anos, Helena tinha sido apenas uma lembrança dolorosa. Uma ausência. Um mistério que ninguém parecia disposto a resolver. Mas agora havia algo concreto. Uma direção. — Você quer ir lá? — perguntou Beatriz, ainda insegura. Lorenzo levantou o olhar. — Quero respostas. Ele vestiu o casaco e caminhou até a porta do depósito.






