Capítulo 7 - Segredos de Helena

O silêncio que se seguiu pareceu pesado demais para aquele pequeno depósito cheio de caixas antigas.

Beatriz apertou os papéis contra o peito, tentando organizar a avalanche de pensamentos.

— Então… você conhecia minha irmã esse tempo todo… — disse ela, a voz quase falhando.

Lorenzo não respondeu imediatamente. Ele apenas observava o chão, como se cada palavra exigisse um esforço enorme.

— Eu amava Helena — disse por fim, baixo.

A frase caiu no ar como uma pedra em água parada.

Beatriz sentiu algo estranho no peito. Não era exatamente ciúme… mas também não era indiferença.

— E agora você aparece aqui… na minha livraria… na minha vida… — ela continuou, os olhos fixos nele. — Isso é coincidência?

Lorenzo finalmente levantou o olhar.

— Não.

A resposta veio simples. Direta.

Beatriz franziu a testa.

— Então por quê?

Ele respirou fundo antes de falar.

— Porque quando eu vi você pela primeira vez… pensei que estava vendo um fantasma.

Ela ficou imóvel.

— Você tem o mesmo olhar que ela — ele explicou. — A mesma forma de inclinar a cabeça quando está tentando entender algo. No começo achei que fosse só impressão… mas depois vi seu sobrenome na placa da livraria.

Beatriz sentiu um arrepio subir pela espinha.

— E resolveu se aproximar…

— Resolvi descobrir se você sabia de alguma coisa.

Ela soltou uma pequena risada amarga.

— Claramente não sei.

Lorenzo olhou novamente para as fotos espalhadas.

— Talvez agora possamos descobrir juntos.

Beatriz hesitou.

Durante anos, a história de Helena tinha sido um vazio doloroso na família. Uma pergunta sem resposta. Um assunto evitado nas reuniões.

E agora aquele homem misterioso estava no meio de tudo.

— Se você está mentindo… — ela disse devagar — eu juro que te expulso dessa livraria.

Lorenzo quase sorriu.

— Justo.

Nesse momento, algo caiu de dentro do envelope aberto.

Um pequeno pedaço de papel dobrado.

Beatriz pegou.

Quando abriu, sua respiração falhou.

Era um endereço.

E abaixo dele, uma única frase escrita à mão:

“Se algo acontecer comigo, procure aqui.”

Os olhos de Beatriz encontraram os de Lorenzo.

— Isso… pode ser uma pista.

Lorenzo já estava pegando o casaco.

— Então vamos descobrir.

Beatriz piscou, surpresa.

— Agora?

Ele abriu a porta do depósito.

— Algumas respostas não gostam de esperar.

Do lado de fora, a noite começava a cair sobre a cidade.

E pela primeira vez em anos, Beatriz sentiu que a história de Helena talvez não tivesse terminado.

Os olhos de Beatriz encontraram os de Lorenzo.

— Isso… pode ser uma pista.

Lorenzo pegou o papel com cuidado, como se pudesse se desfazer a qualquer momento. Seus olhos percorreram o endereço escrito à mão.

— Fica do outro lado da cidade — murmurou.

Beatriz sentiu o coração acelerar.

Durante anos, Helena tinha sido apenas uma lembrança dolorosa. Uma ausência. Um mistério que ninguém parecia disposto a resolver.

Mas agora havia algo concreto.

Uma direção.

— Você quer ir lá? — perguntou Beatriz, ainda insegura.

Lorenzo levantou o olhar.

— Quero respostas.

Ele vestiu o casaco e caminhou até a porta do depósito.

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