Mundo de ficçãoIniciar sessãoBeatriz engoliu seco enquanto continuava lendo.
"Existe um símbolo que eles usam. Eu vi desenhado na porta daquele prédio antigo. Não sei o que significa, mas sempre aparece antes deles surgirem. Se alguém encontrar este diário… procure pelo símbolo. Ele é a chave de tudo." Beatriz fechou o diário lentamente. — Então ela sabia… — murmurou. Lorenzo a observava com o olhar sério. — Sabia que estava em perigo. Beatriz abriu novamente o diário e virou mais algumas páginas. Foi então que algo caiu de dentro dele. Uma fotografia. Ela pegou. Era uma foto antiga de Helena… parada na frente do mesmo prédio onde Beatriz e Lorenzo estavam agora. E atrás dela, quase escondido nas sombras da porta… havia um homem observando. Beatriz sentiu o sangue gelar. — Lorenzo… Ele se aproximou. — O que foi? Ela virou a foto. — Esse homem… Lorenzo ficou pálido. — Eu conheço ele. O silêncio tomou conta da livraria. — Quem é? — perguntou Beatriz. Lorenzo demorou alguns segundos para responder. Então disse, em voz baixa: — O homem que disse ter visto Helena pela última vez. O silêncio na livraria parecia pesado demais. Beatriz ainda segurava a fotografia entre os dedos trêmulos. Seus olhos iam da imagem para o rosto de Lorenzo. — Você disse que conhece esse homem… — murmurou ela. — Quem é ele? Lorenzo continuava olhando para a foto como se estivesse vendo um fantasma. — O nome dele é Raul Mendonça. Beatriz franziu a testa. — E quem é Raul Mendonça? Lorenzo respirou fundo antes de responder. — Foi a última pessoa que disse ter visto Helena… antes dela desaparecer. As palavras fizeram o estômago de Beatriz revirar. — Espera… — disse ela, tentando entender. — Você quer dizer que ele foi quem contou para a polícia? — Sim. Beatriz apertou a fotografia. — Então por que ele estava escondido atrás dela nessa foto? Lorenzo não respondeu imediatamente. Ele pegou o diário de Helena e começou a folhear rapidamente as páginas. — Porque talvez ele não estivesse apenas “por perto”. Ele parou em uma página quase no final. — Ele pode ter estado seguindo ela o tempo todo. Beatriz sentiu um frio percorrer sua espinha. — Você acha que ele mentiu? Lorenzo levantou os olhos. — Eu tenho quase certeza. Beatriz voltou a olhar para a foto. Agora, observando melhor, o homem nas sombras parecia realmente estar observando Helena… não como um estranho, mas como alguém que estava esperando. Esperando por algo. — Por que ninguém percebeu isso antes? — perguntou ela. — Porque ninguém tinha essa foto — respondeu Lorenzo. Beatriz virou a fotografia. No verso havia algo escrito à caneta. Ela arregalou os olhos. — Lorenzo… — O que foi? Ela leu em voz baixa: — “Ele não sabe que eu já descobri.” Lorenzo se aproximou rapidamente. — Tem mais alguma coisa? Beatriz virou a foto completamente. Abaixo da frase havia outra linha. A letra de Helena estava mais tremida. — “Se eu desaparecer, procure por Raul Mendonça.” O coração de Beatriz disparou. — Então ela sabia… — disse ela. — Sabia que ele estava envolvido — completou Lorenzo. Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. Então Lorenzo pegou o celular e digitou rapidamente algo. — O que está fazendo? — perguntou Beatriz. — Procurando o endereço dele. Beatriz sentiu o ar ficar mais pesado. — Você quer ir atrás dele? Lorenzo levantou os olhos. — Se Helena deixou essa pista… é porque ele tem respostas. Beatriz olhou novamente para a fotografia. Durante anos ela acreditou que a irmã simplesmente tinha desaparecido. Mas agora tudo parecia diferente. Agora parecia que alguém estava escondendo a verdade. E talvez… tentando impedir que ela fosse descoberta. — Lorenzo — disse Beatriz devagar. — Sim? — E se ele não quiser falar? Lorenzo guardou o celular no bolso. Seus olhos estavam frios. — Então vamos fazer ele falar.






