CAMILA NOGUEIRA
O caminho de volta para o apartamento em Kensington foi rápido. Meus pés batiam contra a calçada molhada em um ritmo frenético, as rodas do carrinho de Hope trepidando nas junções das pedras antigas. Eu não sentia o frio. A adrenalina que bombeava em minhas veias era quente, tóxica, queimando a névoa de depressão que me cobria há dias.
Eu queria vomitar. Queria gritar até meus pulmões rasgarem. Mas eu não podia. Eu tinha uma bebê dormindo à minha frente, a única coisa pura em um mundo que se revelava cada vez mais podre.
Entrei no prédio praticamente correndo para o elevador. Assim que a porta metálica se fechou, olhei meu reflexo no espelho. Eu parecia uma louca. Cabelos desgrenhados pelo vento, bochechas vermelhas, olhos arregalados e selvagens.
Entrei no apartamento. Tirei Hope do carrinho sem acordá-la e a coloquei no berço no quarto. Fiquei ali por um minuto, observando o peito dela subir e descer.
Voltei para a sala. Sentei-me no sofá, cruzei as pernas e esp