CAMILA NOGUEIRA
— Olá, Camila.
Abri os olhos em pânico, virando a cabeça bruscamente, o grito morrendo na minha garganta antes mesmo de nascer ao ver quem estava ali.
O rosto era familiar, dolorosamente familiar, mas ao mesmo tempo parecia um estranho reflexo distorcido em um espelho quebrado. Os traços que um dia eu havia amado estavam ali. Mas estavam diferentes. Mais magros. Encovados. Havia uma barba por fazer, falhada, e olheiras profundas que contavam histórias de noites mal dormidas.
— Felipe — o nome saiu dos meus lábios não como um cumprimento, mas sim uma constatação com um gosto amargo de bile.
O choque inicial paralisou meus membros por um segundo. A imagem de Felipe ali, no meio do Kensington Gardens, em um dia cinzento de Londres, parecia uma alucinação. Ele pertencia a outra vida. A vida antes da minha tia Lúcia. Antes de Arthur.
Mas o aperto no meu ombro era real e me soltei do toque dele com um safanão, levantando-me do banco num pulo. Meu corpo se colocou