CAMILA NOGUEIRA
UM MÊS DEPOIS
Olhei para o pequeno berço de madeira branca que Zoe e Emma tinham me ajudado a montar com tanto esforço e muitas risadas nervosas. Dentro dele, dormia a razão da minha existência. A razão da minha fuga. A razão de cada respiração que eu dava desde que deixei o Brasil.
— Hope — sussurrei, acariciando a bochecha da minha filha.
Hope. O nome parecia grande demais para um ser tão minúsculo, mas era a única coisa que fazia sentido.
O último mês tinha sido composto de noites em claro, fraldas, cheiro de talco e um amor tão grande que às vezes parecia que meu peito iria explodir. Aprender a ser mãe sozinha, em um país estranho, foi a tarefa mais aterrorizante que já enfrentei. Meus seios doíam, minhas costas pareciam quebradas e a exaustão era uma companheira constante, sentada nos meus ombros como um abutre.
Mas então, Hope abria aqueles olhinhos — que, para meu desespero e fascínio secreto, tinham o mesmo tom cinzento dos olhos de Arthur — e tudo valia a