ARTHUR VASCONCELOS
— Você sempre foi esperto, Arthur — ela disse. A voz mudou também. — É uma das coisas que eu mais odeio em você.
— Então você lembra — constatei, sentindo o gosto amargo.
— Eu lembro de tudo — ela sibilou. — Lembro de cada dia trancada naquele lugar.
— Não se faça de vítima, Anabela. Você não foi "trancada" sem motivo. Vamos refrescar sua memória seletiva sobre a noite de 12 de maio. — Ela estreitou os olhos, o sorriso vacilando levemente. — Você pegou o carro. Você estava bê