Ao entrar na cozinha, Sara encontrou Odete organizando algumas coisas no armário. Assim que a viu, a mulher interrompeu o que fazia e abriu um sorriso sincero, daqueles raros naquela casa.
— Que bom vê-la novamente, Sara.
— Digo o mesmo, Odete — respondeu, aliviada. Sabia que aquela era a única pessoa ali que a tratava com gentileza.
Odete a observou por um instante, atenta demais para não perceber o abatimento.
— Como foram as coisas enquanto esteve fora? — perguntou.
— Horríveis — respondeu, sem rodeios.
A sinceridade a pegou de surpresa. Ela se aproximou um pouco mais, baixando o tom.
— Você não parece nada bem.
— E não estou — confessou. — Mas acho que estaria pior se não estivesse aqui.
Havia cansaço demais naquele olhar. Odete sentiu o aperto no peito e tentou amenizar o clima.
— Você quer comer alguma coisa?
— Eu adoraria — respondeu de imediato.
— Então, sente-se — disse, apontando para a mesa. — Vou preparar seu prato.
Com rapidez, serviu a comida e colocou o prato à frente d