Leandra Felix
Demorei alguns minutos para conseguir respirar de verdade depois que Gael saiu do quarto. Fiquei sentada na beira da cama, com as mãos apoiadas nas pernas, sentindo o coração ainda acelerado, como se tivesse acabado de correr uma longa distância sem saber exatamente para onde. O choro já tinha cessado, mas a sensação de aperto no peito permanecia, teimosa, lembrando-me de que algumas verdades não cicatrizam rápido apenas mudam de lugar dentro da gente.
Foi um resmungo baixo que me trouxe de volta ao presente.
Depois outro.
E mais um, agora mais insistente.
Levantei o rosto imediatamente e olhei para os berços. As meninas começavam a se mexer, agitadas, os bracinhos se movimentando no ar como se buscassem algo mesmo ainda de olhos fechados. O chorinho fino, ainda tímido, anunciava o óbvio: fome.
Respirei fundo, me levantando devagar. Meu corpo ainda estava cansado, mas aquele cansaço conhecido, quase automático, de mãe. Aquele que a gente aprende a ignorar porq