Juliana Pacheco
O silêncio daquela casa sempre me incomodou.
Não era um silêncio de paz. Era um silêncio pesado, artificial, construído com dinheiro demais e verdade de menos. As paredes eram grandes, frias, cheias de obras caras que nunca significaram nada para mim além de status. Ainda assim, naquela manhã, eu caminhava de um lado para o outro tentando ignorar a sensação sufocante que insistia em apertar meu peito desde que acordei.
Eu sabia.
Não exatamente o quê, mas sabia que algo estava errado.
Passei a mão pelo braço, tentando afastar o arrepio que insistia em subir pela pele. O café já havia esfriado sobre a mesa, intocado. Não consegui beber um gole sequer. Meu olhar foi automaticamente para o relógio na parede. Cedo demais. Silencioso demais.
Foi quando o celular tocou.
O som ecoou pela sala como um tiro.
Meu corpo reagiu antes mesmo da mente. Peguei o aparelho rápido demais, como se aquilo pudesse impedir o inevitável. O número não estava salvo. Meu coração acelerou.
— Alô?