Lorenzo Lubianco
Nunca creditei em coincidências. Sempre achei que o mundo funcionava como um tabuleiro invisível, onde quem enxerga mais casas à frente vence. Por muito tempo, eu tive certeza de que estava vários movimentos à frente de Gael.
Hoje, olhando para trás, percebo o quanto a arrogância distorce a percepção.
Paulina falava sem parar ao meu lado enquanto caminhávamos pela calçada estreita, cercada de lojas elegantes e cafés cheios demais para aquela hora do dia. Eu assentia, respondia no automático, mas minha mente estava longe. Algo me incomodava desde cedo. Um peso estranho no peito. Aquela sensação incômoda de estar sendo observado, mesmo quando tudo parecia normal demais.
— Você está me ouvindo? — ela perguntou, parando de repente.
— Claro — menti. — Só estava pensando.
— Pensando em quê?
Em como Gael sempre parecia um passo à frente, mesmo quando fingia não estar jogando. Mas não disse isso. Dei um sorriso torto.
— Em negócios.
Ela revirou os olhos.
— Sempre negócios. Vo