Gael Lubianco
Não sei explicar exatamente por quê, mas desde o instante em que acordei naquela manhã, uma inquietação estranha se instalou no meu peito. Não era ansiedade comum, nem preocupação lógica. Era algo mais profundo, quase instintivo, como se alguma parte de mim estivesse em alerta máximo.
Leandra ainda dormia quando saí da cama. Observei-a por alguns segundos a mais do que o normal. O rosto sereno, a mão repousada sobre a barriga, o movimento suave da respiração. As meninas estavam bem. Ela estava ali. Tudo parecia no lugar e, ainda assim, algo não estava.
Inclinei-me e beijei sua testa com cuidado antes de sair do quarto.
O dia na empresa foi um caos controlado. Reuniões importantes, decisões estratégicas, assinaturas que não podiam esperar. E, mesmo assim, entre uma pauta e outra, meu dedo encontrava o celular quase automaticamente.
Liguei para Leandra mais vezes do que costumava admitir.
— Está tudo bem — ela repetia, paciente. — Pode trabalhar tranquilo.
Na terceira liga