Rafaelly Lubianco
Voltar para casa não é um sinônimo, minha mãe ficaria decepcionada comigo assim como os dois idiotas que tiram de mim no aeroporto.
O carro atravessou o portão da mansão lentamente, como se o próprio motorista soubesse que aquele lugar guardava mais fantasmas do que conforto. Observei o jardim impecavelmente podado, as luzes acesas, a fonte funcionando como se tudo estivesse em perfeita ordem. A fachada sempre foi bonita. Sempre enganou bem.
Assim que entrei, fui recebida pelo silêncio pesado que só aquela casa conseguia ter. Nenhum funcionário à vista, nenhum som além do eco dos meus próprios passos no mármore frio.
Tirei os sapatos sem cuidado algum e deixei a bolsa cair sobre o aparador da entrada. Antes que pudesse subir, ouvi passos apressados descendo a escada.
— Rafaelly?
A voz vinha carregada de preocupação ensaiada. Reconheci na hora.
Minha mãe surgiu no topo da escada e, ao me ver, abriu os braços como se estivesse esperando esse momento há anos. Desceu rá