Acordei com uma disposição estranhamente silenciosa, como quem tenta equilibrar a própria alma depois de uma noite que bagunçou mais do que deveria. Tomei banho devagar, sentindo a água morna escorrer pelas costas como se pudesse levar embora restos da madrugada. O café estava quente, suave, e mesmo com pouco açúcar, teve gosto de conforto.
Arrumei a bolsa, conferi as apostilas, respondi Gael com uma mensagem curta, não porque eu não tivesse o que dizer, mas porque palavras longas pesavam demais naquela manhã. Fechei a porta atrás de mim e desci lentamente a calçada. O sol filtrava pelos galhos, tingindo o chão de dourado, mas eu não consegui apreciar.
Havia algo estranho no ar como um aviso sem forma, um nó no estômago sem nome.
— Cansaço — murmurei como se pudesse convencer meu corpo a acreditar.
Parei na esquina, esperando meu táxi habitual. O motorista já me conhecia chegava sempre no mesmo horário, com a mesma gentileza discreta. Ele estacionou, baixou o vidro e sorriu.
— Bom dia