Charlotte veio até mim, puxou uma cadeira e sentou ao meu lado, segurando minha mão com aquele carinho firme que só ela sabia ter.
— Eu sei que você aprendeu a se defender sozinha. Que sua vida inteira foi sobreviver… não viver. Mas agora você tem alguém ao seu lado que luta por você. Não o exclua dessa batalha só para parecer forte.
Funguei, apertando sua mão como quem se agarra a um porto seguro.
— Mas tenho medo — admiti, pela primeira vez em voz alta — de ser um peso pra ele. De ser mais uma preocupação.
Charlotte sorriu com doçura, como se estivesse vendo minha alma desarmada pela primeira vez.
— Minha querida, ser amada nunca foi ser um fardo.
Só ouvi isso e as lágrimas vieram, não apenas por dó de mim mesma, mas porque, talvez pela primeira vez, alguém dizia algo que eu sempre desejei ouvir.
Ela continuou, acariciando minha mão:
— Pare de diminuir sua dor porque acha que não merece cuidado. Você merece. E Gael quer ser parte disso, não um espectador distante.
Respirei fundo, se