Acordei antes do despertador. Não porque estava ansiosa, mas porque, pela primeira vez em dias, meu corpo parecia… leve.
Leve de verdade.
Era estranho perceber isso depois do que aconteceu ontem. Como se uma noite inteira de sono tivesse passado por cima de mim com cuidado desfazendo um nó aqui, alinhando uma borda ali, reorganizando meu interior silenciosamente, sem pedir permissão.
Abri os olhos devagar, sentindo a claridade suave que entrava pelas frestas da cortina. A luz tinha aquele tom dourado de manhã calma, a promessa de um dia menos turbulento. Respirei fundo e o ar entrou sem dificuldade, sem aquela pressão incômoda que eu vinha carregando no peito desde o quase-acidente.
Quase.
Piscar trouxe de volta um lampejo da cena, mas dessa vez não veio com o frio na barriga. Talvez porque eu tivesse dormido profundamente. Talvez porque meu cérebro estivesse cansado de criar pânico. Ou talvez… porque eu finalmente tinha aceitado que precisava respirar.
Espreguicei os braços, sentindo