Charlotte ficou andando pela cozinha como um furacão de vestido floral por alguns segundos, respirando fundo, murmurando coisas em francês, inglês e português tudo misturado até finalmente bater as mãos uma na outra e decretar:
— Pronto. Decidi. Você vai levantar essa bundinha do sofá e vai direto para o banho. Agora. Sem argumentos.
Eu pisquei, surpresa.
— Charlotte, estou bem…
— Você está um caco, e não estou aceitando oposição hoje. — Ela apontou para o corredor, como um sargento mandando um recruta marchar. — Banho quente, daqueles que abrem até os poros da alma. Vai.
Era inútil discutir. Além disso… talvez um banho fosse realmente o que eu precisava.
Suspirei e me levantei devagar.
— Tá bom. Eu vou.
— E use o sabonete de lavanda que eu coloquei para você. — Ela acrescentou, já de volta à panela como se nada tivesse acontecido. — Lavanda relaxa o espírito. E o espírito precisa, viu?
Sorri de canto.
— Sim, senhora.
O chuveiro quente caiu sobre meus ombros como se estivesse derret