Gael Lubianco
A casa estava silenciosa demais quando cheguei. Um silêncio pesado, estranho, daqueles que quase parecem fazer eco dentro da gente. Depois de horas entre aeroporto, viagem, imigração e duas crianças chorando de saudade da mãe, tudo que eu queria era um banho quente, mas antes… eu tinha dois pequenos homens para cuidar.
Bruno dormia no meu ombro, o rosto enterrado contra meu pescoço, enquanto Breno arrastava os pés atrás de mim, segurando o ursinho pela pata como se tivesse perdido metade da energia no caminho. Eles estavam exaustos. E eu também.
Subi as escadas devagar, sem acender todas as luzes para não despertar os dois, e abri a porta do quarto deles com cuidado. O abajur suave iluminava o ambiente com aquele tom amarelado que sempre dava a sensação de lar.
Coloquei Bruno primeiro na cama. Ele se aconchegou imediatamente, puxando o cobertor até o nariz. Breno, sempre mais manhoso, ergueu os braços para mim.
— Papai, fica aqui um pouquinho? — pediu com a voz sonolent