O telefone chamou apenas uma vez antes que a voz dele preenchesse tudo ao redor.
— Amor? — Gael atendeu com aquela mistura de alívio e saudade capaz de desmontar qualquer resistência. — Chegaram bem?
Os olhos se fecharam sozinhos, como se isso ajudasse a diminuir a distância entre nós.
— Chegamos. O voo foi tranquilo. Quer dizer… tão tranquilo quanto pode ser quando se carrega uma melancia na barriga.
A risada baixa dele atravessou o celular e aqueceu o peito de imediato.
— Está bem? Os pés estão muito inchados? E a minha mãe, quase surtou?
— Estou bem, prometo. E a Charlotte… ah, a Charlotte teve um surto consumista. Comprou meia cozinha nova.
— Sabia — ele riu outra vez. — Ela não consegue passar uma semana sem inventar moda.
— Pois é. Agora tenho medo de abrir o armário e encontrar uma centrífuga industrial.
— E os meninos? — a pergunta saiu sem permissão, trêmula na ponta da língua.
Houve uma pausa curta.
— Estão aqui na sala. Adormeceram no sofá, agarrados no meu moletom. Fiq