Saímos de casa com aquele tipo de organização improvisada que só pais experientes conseguem executar sem enlouquecer completamente. Mochila dos meninos com brinquedos e lanchinhos, documentos dentro da minha bolsa, garrafinhas de água, e Gael conferindo tudo duas vezes como se estivéssemos prestes a embarcar em uma missão de risco.
Talvez estivéssemos.
Não pelo médico em si, eu confiava plenamente no acompanhamento que vinha fazendo, mas porque cada consulta carregava um peso emocional que eu não conseguia ignorar. Era sempre naquele ambiente de paredes claras, cheiro de álcool e silêncio controlado que a realidade me alcançava com mais força: eu estava grávida. De gêmeas. Na reta final.
E isso era tão maravilhoso quanto assustador.
— Mãe, a gente vai ver as bebês de novo? — Bruno perguntou assim que entramos no táxi, se ajeitando no banco.
— Vai sim — respondi, sorrindo. — Mas elas ainda estão dentro da barriga.
— Elas sabem que a gente existe? — Breno questionou, sério de