Mundo ficciónIniciar sesiónEu, por minha vez, vestia um rosa delicado, na altura da coxa, combinando com o salto que sustentava minha postura firme. Meus longos cabelos, em ondas suaves, caíam em um baby liss perfeito, como se a cena tivesse sido cuidadosamente ensaiada.
Miguel estendeu-me a mão, e juntos seguimos em direção à saída do restaurante. Atrás de nós, ouvi meu pai murmurar, ao destravar o carro, com aquele tom de desprezo que lhe era característico: Marks: Bando de urubus… O carro deslizou silencioso pela avenida arborizada. Os vidros fumê escondiam qualquer vestígio da tempestade que havia acontecido no restaurante. Meu pai estava ao volante, com a expressão altiva de quem acreditava ter vencido uma batalha. Minha mãe ajeitava a barra do vestido sobre as pernas cruzadas, enquanto Miguel, no banco de trás ao meu lado, ainda parecia agitado. Marks: Eu avisei. — disse, rompendo o silêncio com sua voz firme. — Esse rapaz nunca passou de um aproveitador com boas maneiras. Sabe sorrir, sabe vestir-se, sabe se portar… mas, no fundo, é vazio. Miguel: Sempre achei ele um farsante. — acrescentou de imediato. — Nove anos jogando charme, fingindo ser perfeito… e agora mostra quem é de verdade. Respirei fundo, olhando pela janela. A cidade parecia indiferente ao que se passava dentro daquele carro. Liana: Não é tão simples assim… — murmurei. — Por anos, ele foi atencioso, cuidadoso, alguém em quem eu acreditava. Talvez eu tenha sido cega… talvez eu tenha me apegado a uma versão dele que só existia para mim. Minha mãe se virou suavemente em minha direção. Sua voz era serena, porém firme: Lizeth: Filha, não confunda atenção com compromisso. Há homens que sabem conquistar pela doçura, mas nunca pretendem entregar a essência. Você deu a ele nove anos da sua juventude… nove anos que não voltam. Não lamente o término, celebre o desmascaramento. Meu pai soltou uma risada curta, quase debochada, sem tirar os olhos da estrada. Marks: Bem dito, minha deusa. — disse, e então lançou um olhar pelo retrovisor, fixando em mim seu olhar de comando. — Liana, escute sua mãe. Um homem que hesita em lhe dar o nome, em selar a união, não merece um segundo a mais da sua vida. Miguel, ainda fervendo, completou: Miguel: E se ele ousar se aproximar de novo, juro que não haverá conversa. Lizeth: Miguel! — repreendeu-o de imediato, mantendo o tom elegante, mas firme. — Não se trata de violência. Trata-se de limites. Permaneci em silêncio por alguns instantes, absorvendo cada palavra. Parte de mim ainda doía, mas outra parte… se sentia estranhamente livre. Liana: Talvez… talvez vocês estejam certos. Talvez eu tenha me prendido a uma promessa que nunca existiu. Mas, se for assim… a partir de hoje, quero começar a escrever uma nova história. O silêncio que se seguiu foi diferente — não pesado, mas solene. Um pacto não dito parecia ter sido firmado naquele carro. Meu pai acelerou, deixando para trás não apenas o restaurante, mas também nove anos de ilusões. Será que eu estava sendo dramática demais? Será que eu realmente deveria ter terminado aquele namoro? Eu não estava respeitando as decisões do meu parceiro… mas, ao mesmo tempo, quanto tempo eu deveria esperar? Afinal, o que mais pesou foi ele ter dito que ainda estávamos “nos conhecendo”. Depois de duas semanas, contei sobre minha viagem. O silêncio se espalhou pela sala. Meu pai, que sempre foi meu porto seguro, abaixou devagar o jornal e me encarou com aqueles olhos que misturavam surpresa e preocupação. Marks: Filha… Nova York? Cinco meses? Sozinha? — a voz dele não saiu alta, mas carregava um peso evidente. Sentei ao lado dele no sofá, segurei sua mão e, pela primeira vez, senti que precisava ser firme. Liana: Pai, eu preciso disso. Preciso me reencontrar, viver algo só meu. Se eu não for agora, vou me perder de mim mesma. Ele respirou fundo, como quem lutava entre a vontade de me proteger e a de me deixar voar. Passou a mão no rosto e ficou em silêncio por alguns segundos, antes de sussurrar: Marks: Você sempre foi minha menina… eu só tenho medo de que o mundo lá fora te machuque. Meu coração apertou, e as lágrimas arderam nos olhos. Apertei a mão dele com força. Liana: Eu também tenho medo, pai… mas preciso aprender a ser forte, por mim mesma. Ele me puxou para um abraço demorado. E, naquele instante, eu soube que, mesmo partindo, nunca estaria sozinha. Minha mãe, por outro lado, foi mais tranquila. Ela sempre apoiava minhas decisões, mesmo sendo mais firme. Meu pai era mais protetor… mas eu os amava profundamente. Alguns dias depois, com a bênção silenciosa deles e o coração dividido entre dor e coragem, embarquei rumo a Nova York.






