Os dias passaram com uma delicadeza quase respeitosa.
A dor cedeu. O corpo respondeu. As cicatrizes começaram a deixar de ser feridas abertas para se tornarem marcas de sobrevivência.
Sofia recebeu alta definitiva. Estava liberada para voltar a viver — não apenas existir.
Vieram dias cansativos de depoimentos finais, audiências, prisões confirmadas, acordos selados, manchetes que finalmente diziam a verdade. O peso que ela carregara sozinha por tanto tempo foi, aos poucos, sendo repartido com o mundo.
Mas, acima de tudo, veio o amor.
O amor insistente dos amigos.
A presença firme de Thomas.
O cuidado que não cobrava força.
Com tudo o que tinha enfrentado — e com tudo o que ainda viria — aquele momento não era fuga.
Era merecimento.
Foi assim que, pela primeira vez desde que tudo começou, Sofia aceitou parar.
E deixar a vida acontecer.
O fim de tarde chegou sem pressa.
O céu começava a mudar de cor enquanto o barco permanecia ancorado, balançando de leve, como