Do outro lado da cidade, em um apartamento alto demais para chamar atenção,
a segunda peça do jogo andava de um lado a outro.
O salto ecoava no piso frio.
Ritmo constante. Preciso.
Quase matemático.
Ela estava irritada.
Não gritava.
Não quebrava nada.
Não perdia a compostura.
Mas a mandíbula rígida denunciava o que o corpo tentava esconder.
E os olhos — duros demais — não piscavam.
— Eu te avisei. — disse, por fim, parando à frente da Nicole. — Disse que ela não podia se aproximar tanto.
Mas Nicole não se moveu.
Elegante.
Postura relaxada demais para quem acabara de ser confrontada.
As mãos repousavam no colo, como se o mundo estivesse exatamente onde deveria estar.
— Sofia não estava nos planos — respondeu, com a voz baixa e firme. — Mas agora está.
A mulher soltou uma risada curta. Sem humor.
— Você prometeu que ela seria contida.
Nicole manteve a expressão neutra.
— E será.
A mulher deu um passo à frente.
— Quando?
Nicole finalmente se