Ricardo nunca foi ao cinema em uma terça-feira à noite.
Nunca.
Terça era dia de reunião, de jantar rápido, de relatórios revisados na madrugada.
Mas ali estava ele.
Sentado numa poltrona confortável demais, com pipoca entre as mãos e Nathália ao seu lado, rindo baixinho de alguma cena boba da comédia romântica que passava na tela.
Ele não estava nem prestando atenção no filme.
Estava nela.
Na forma como se inclinava para comentar algo.
No jeito como roubava pipoca do balde dele.
No sorriso aberto, fácil, que surgia sem esforço.
— Para de me olhar assim. — ela cochichou.
— Assim como?
— Como se eu fosse mais interessante que o filme.
Ricardo inclinou-se até a orelha dela.
— E é.
Ela revirou os olhos, rindo.
— Bobo.
— Realista.
Quando a sessão terminou, Nathália ainda estava limpando os dedos engordurados de manteiga quando sentiu a mão dele procurar a sua no corredor escuro.
Entrelaçou.
Natural.
Como se sempre tivesse sido assim.
Na saída, Em