Meu grito ainda ecoava quando Lorenzo apareceu na varanda.
O olhar dele varreu o jardim, pousando em mim — trêmula com o celular nas mãos como se fosse a última coisa que me ligava à realidade.
— Mila? — Ele se aproximou em passos firmes, os olhos já em alerta. — O que aconteceu?
Tentei falar, mas a voz não saía. O coração batia tão rápido que parecia querer sair pela boca.
— A... a Lis. — respirei fundo, tentando organizar as palavras. — Ela tava no meu apartamento. E alguém entrou lá. Eu ouvi... ouvi a porta abrir e depois... — engoli em seco — um barulho. Depois o telefone caiu e desligou a chamada.
Seu rosto mudou em segundos. O ar ao redor dele pareceu ficar mais denso, como se a temperatura tivesse despencado. O Lorenzo calmo e sedutor que eu encontrei na cama de manhã sumiu.
O homem que ficou diante de mim agora era o mesmo que enfrentava crises internacionais sem piscar.
O olhar dele endureceu.
— Me passa o endereço.
Anotei tremendo num guardanapo, endereço, andar e número. A