O ar de fora estava diferente, vibrando com aquela energia estranha que sempre antecede algo importante.
Caminhei rápido pela varanda, tentando ignorar o calor que ainda queimava sob a pele. As pessoas conversavam em grupos, taças nas mãos, risadas soltas, como se nada pudesse quebrar a contagem regressiva invisível para o novo ano.
Segui Giulia até a lateral da casa, onde dois homens uniformizados falavam ao mesmo tempo. Um segurava uma prancheta, o outro apertava um walkie-talkie que crepitava ruídos confusos.
— Vocês são da equipe dos fogos, certo? — perguntei, tentando recuperar o fôlego.
— Sim, senhora — respondeu um deles, com um leve sotaque carioca. — Houve um erro no alinhamento das balsas. Uma delas está muito próxima da linha da areia. Se o vento virar, pode acabar disparando na direção errada.
Meu coração deu um salto.
— Errada como?
Ele não hesitou.
— Em direção aos convidados.
Respirei fundo, sentindo um arrepio percorrer a espinha.
— Ok… o que vocês precisam pa