O sol já invadia o quarto quando abri os olhos. O calor morno atravessava as cortinas e caía sobre a pele de Lorenzo, ainda adormecido ao meu lado.
Por um instante, fiquei apenas observando seu cabelo bagunçado, a barba sombreando o maxilar, a respiração calma. Parecia um homem em paz, e isso era raro nele.
O mesmo homem que horas antes era puro furacão agora dormia sereno, com o braço pesado sobre minha cintura, me mantendo ali, presa de propósito.
Por um segundo, deixei-me ficar. O som do coração dele, o toque da pele, a paz momentânea depois de todo o caos que vínhamos vivendo.
Mas então, como um balde de água fria, me lembrei: café da manhã com a Nonna.
E, pelo que eu sabia, ela era pontual como um relógio suíço e tão intimidante quanto uma reunião de conselho.
— Lorenzo — murmurei. — Me solta, eu preciso levantar.
— Cinco minutos — resmungou, com a voz rouca de sono.
— Elisabetta vai me despedaçar viva se eu chegar atrasada.
— Aposto que ela já tá pronta desde o nascer do sol