O som do secador ainda ecoava no quarto quando decidi desistir de lutar contra o cabelo. Desliguei o aparelho e deixei os fios úmidos caírem soltos sobre os ombros, o cheiro do óleo ainda estava impregnado em mim.
O espelho devolveu uma versão minha que eu quase não reconhecia — a pele levemente corada, os olhos mais vivos, a boca marcada por um sorriso que insistia em aparecer mesmo quando eu tentava parecer neutra.
Nada ali denunciava o que tinha acontecido minutos antes no chuveiro. Pelo menos, era o que eu queria acreditar.
Mas por dentro, a cabeça não parava.
Com Marcos, eu me perdi porque me entreguei por inteira. Será que agora estou apenas trocando um tipo de controle por outro?
A pergunta veio rápida, incômoda, como um reflexo antigo. Sacudi a cabeça, afastando o pensamento. Não era justo. Nem com Lorenzo, nem comigo. O que existia ali não era prisão — era escolha. E eu precisava aprender a não fugir toda vez que algo parecia bom demais.
Vesti um vestido leve, de tecido