A noite caía devagar, tingindo o céu de um azul profundo, quase violeta, enquanto deixávamos a mansão para trás. O caminho estreito se abria à nossa frente como um convite silencioso, iluminado apenas pelos círculos de luz das lanternas presas às mochilas. O chão úmido estalava sob nossos passos, e o ar frio desenhava arrepios na minha pele.
Respirei fundo.
Não pensei em mais nada.
Nem passado, nem futuro — só o som da floresta, o cheiro de terra molhada e a presença firme de Lorenzo caminhando ao meu lado.
— Tem certeza de que é por aqui? — perguntei, tentando soar casual, apesar do coração acelerado.
Ele parou por um instante, abriu o mapa dobrado com cuidado e aproximou a lanterna do papel gasto, os olhos atentos, precisos.
— Absoluta. Tá vendo aqui na frente? — disse apontando para o mapa — trilha se divide logo adiante. Se formos pela direita, ganhamos quase vinte minutos.
— E se você estiver errado?
O meio sorriso que ele me lançou foi confiante.
— Eu nunca erro com mapa