Eu sabia exatamente a hora em que Daniel preparava o almoço, o som abafado do elevador quando Lorenzo chegava, e os passos apressados de Teresa ecoando pelo corredor.
Era como viver dentro de uma bolha. Um cárcere elegante demais para ser chamado assim.
Não era difícil se acostumar a uma vida onde nada exigia esforço doméstico. Mas havia algo profundamente desconfortável em ter tanto tempo livre e tão pouca autonomia sobre onde eu podia estar.
Cada comodidade me lembrava que eu estava ali porque não podia estar em nenhum outro lugar.
Lorenzo havia sido claro. Disse que, por enquanto, o melhor era eu permanecer fora de qualquer radar. Até que qualquer visita inesperada deixasse de ser uma possibilidade.
Já tinha explorado quase todos os cômodos da cobertura. A sala de jantar com vista para a cidade, o terraço onde o vento parecia vir de outro mundo, a biblioteca silenciosa e a sala de TV que mais parecia um cinema particular.
O único espaço que permanecia fora do meu alcance era o