Os dias seguintes se arrastaram numa espécie de silêncio organizado. Lorenzo havia viajado, e embora tivesse dito que voltaria no mesmo dia, já tinham se passado três e eu não soube explicar por que aquela ausência parecia maior do que deveria. A casa continuava impecável, funcional, quase confortável demais para alguém que passava a maior parte do tempo tentando não pensar.
Trabalhei. Muito. Entreguei todas as demandas no prazo, revisei documentos, respondi e-mails com objetividade quase fria. Evitei reuniões sempre que pude, inventei dores de cabeça, prazos apertados, qualquer desculpa que me livrasse de abrir a câmera ou de sustentar conversas que exigissem mais de mim do que eu tinha para oferecer naquele momento. No W******p da equipe, eu era eficiente e distante. Curtia mensagens, mandava textos curtos, nada que abrisse espaço para perguntas pessoais.
Era mais fácil assim. Enquanto eu mantivesse as pessoas longe, não precisava explicar nada. Nem para elas, nem para mim.
O escr