O shopping surgiu à nossa frente como um pequeno mundo paralelo. Vidros, luzes, vitrines impecáveis. Assim que entramos, senti aquele velho desconforto subir pelo peito. Gente demais, coisas caras, uma sensação persistente de que eu estava no lugar errado usando a roupa errada.
Lorenzo percebeu antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa. A mão dele pousou nas minhas costas, firme.
— Relaxa — disse baixo. — Ninguém aqui morde.
— Você claramente não viu o preço dessas lojas — murmurei analisando uma vitrine que tinha peças mais caras que o meu aluguel.
Ele soltou um riso curto e, sem me dar tempo de pensar melhor, me guiou para dentro da primeira loja.
As atendentes surgiram rápido, sorridentes. Eu me vi cercada por tecidos, cortes e comentários sussurrados. Experimentei alguns vestidos sem muita convicção, até que, no espelho, senti o ar mudar.
Lorenzo estava ali, apoiado de lado, braços cruzados, o olhar atento demais para alguém que dizia não se importar com essas coisas. Quando